25 abril, 2007

Capitu, olhos de cigana...

Capitu (nome inspirado na personagem de Machado de Assis no romance Dom Casmurro) é um babuíno-sagrado fêmea que vive numa ilha com o seu marido Otelo (também um babuíno, cujo nome se deve à personagem de Shakespeare que mata a mulher por ciúmes).
Em frente ao casal, separado por um lago de oito metros de largura, mora Eliseu, um macaco viúvo (seu nome não foi tirado de nenhuma obra literária).

Depois de alguns anos de vida em comum, Capitu gera e dá à luz a um bebê macho que foi "batizado" com o nome de Tadeuzinho, mas nem tudo são flores na vida do casal.

Capitu, talvez cansada da monotonia que os tempos de paz e harmonia lhe trouxeram, Capitu decidiu consolar a viuvez de Eliseu e começou a trair Otelo.

Uma paixão que desafiou o perigo. Capitu, deixou para trás o terrível medo de água, os babuínos têm pavor de água e detestam ter de atravessá-la, para encontrar-se com Eliseu, o grande amor. Por muitas vezes nadava corajosamente até a ilha onde morava aquele babuíno-verde que mexia com seu coração. Na volta, enfrentava a raiva do marido Otelo, que ficava em casa cuidando do filho Tadeuzinho.

Sem cerimônia, depois de agradar o marido, ela costumava atravessar o lago e se mandar para os braços do amante. Tudo sob as vistas de Otelo. Para Capitu fazer isso, é porque o seu desejo era muito grande e mais forte que sua natureza.
Estava formado o triângulo amoroso no Zoológico de Brasília que virou notícia em todo o país. Curiosos se juntavam para acompanhar a novela...

O amor entre Capitu continuou durante muito tempo, mesmo sob os olhos de um Otelo que, com o passar do tempo, foram se enchendo de resignação.
Seu amor por Capitu, dos "olhos de cigana oblíqua e dissimulada" ou "olhos de ressaca", superou a dor da traição e manteve a esperança de que um dia ela abandonaria de vez o amante e voltaria a devotar a fidelidade incondicional com a qual Otelo tanto sonhava.

A direção do zoológico, na época, comprou mais dois babuínos fêmeas, uma para pôr fim ao constrangimento de Otelo, uma aplacando a solidão de Eliseu e a outra para fazer par com Tadeuzinho, o caso de amor continuou durante algum tempo até que Capitu, do nada e sem motivo aparente já que as outras fêmeas em momento algum foram empecilho para que o affair continuasse, parou de atravessar o lago para encontrar-se com seu amor.

Sorte de Otelo, azar de Eliseu, este além de não demonstrar interesse algum pela nova parceira, começou a definhar. Mal se alimentava, vivia triste num canto, começou a ter problemas de saúde até que uma pneumonia acabou por matá-lo, tal era a debilitação de seu organismo.

Há pouco mais de um mês Capitu também viu um ataque de coração matar o marido Otelo.
Assim, a companhia da macaca na ilha se resumiu à presença de duas filhas.
O pai das crianças pode ter sido qualquer um deles, o último a nascer foi Hamlet e até onde acompanhei a história, as atenções de Capitu eram para ele e iria demorar um pouco para que ela voltasse a “pensar” em iniciar um novo relacionamento...

25 de Portugal




1/2 Soneto da Revolução


De repente do pranto fez-se o riso

E das bocas unidas fez-se o canto
E das mãos espalmadas fez-se a história
De repente da calma fez-se a coragem
Que do passado tirou sua última mordaça
E da paixão fez-se coração
E do momento esperado

Fez-se a liberdade


De repente, porque já era tempo
Fez-se de feliz o que se fez livre ...


Emprestei uns versos de Vinicius de Moraes para comemorar o 25 de Abril, um momento histórico que pude acompanhar de perto sem medos e com muita alegria.

Uma lição de vida que só o povo que se compromete de corpo e alma com seu país é capaz de nos dar...

22 abril, 2007

Aurora



Aquarela



Aquarela
Toquinho

Composição: Toquinho/Vinicius de Moraes

Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva
E se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva

Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel
num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu
Vai voando, contornando a imensa curva Norte e Sul

Vou com ela viajando Havaí, Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela branco navegando,
é tanto céu e mar num beijo azul

Entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo, com suas luzes a piscar
Basta imaginar e ele está partindo, sereno e lindo
e se a gente quiser ele vai pousar

Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida
com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida
De uma América a outra consigo passar num segundo
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo

Um menino caminha e caminhando chega no muro
e ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está
E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar

Não tem tempo nem piedade nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida,
depois convida a rir ou chorar

Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
de uma aquarela que um dia enfim
Descolorirá

Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo (que descolorirá)
e com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo (que descolorirá)
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo (e descolorirá)

20 abril, 2007

Fome e sede de viver...

Fome de Viver (The Hunger, 1983), é um filme de terror onde não existe um vampirismo explícito, a palavra “vampiro” sequer é pronunciada no filme, paira no ar um clima de pavor sem palavras, os diálogos são curtos e simples, dizem muito menos do que querem dizer, e fazem gelar apenas com gestos, cores.

Não existem castelos, capas e
dentões sobressalentes. Os chupadores de sangue do filme são pessoas comuns, que andam a luz do dia e cravam um punhal egípcio em forma de crucifixo na jugular de suas vítimas.

A produção do filme é sofisticada, os vampiros são charmosos e refinados, tocam música clássica, têm figurino impecável e matam com muito estilo.

Vampiros e humanos são raças distintas, mas uma pessoa normal pode ter sua vida prolongada se dividi-la com uma dessas criaturas. Depois de séculos, humanos comuns esbarram num limite natural e em algumas horas envelhecem o que nãoenvelheceram em anos.

A abertura do filme é pincelada em um clima obscuro, curtos trechos em silêncio, gritos e grunhidos. A música que toca é um dos elementos que dão ênfase à narrativa, o baixo soturno de Bela Lugosi is Dead, do Bauhaus, cujo vocalista Peter Murphy se contorce para a câmera enquanto a canta numa boate nova-iorquina, onde o casal,seduz mais uma vítima.

O filme todo se dá ao som das obras de Sebastian Bach,
Delibes e Schubert, dando a cada cena um toque mais
profundo de
mistério, erotismo, terror e poesia.

Miriam é uma vampira egípcia que existência em algum momento de sua seduziu e transformou em um semelhante o nobre inglês John (David Bowie). Nem tudo é eterno na vida do casal. Agora, séculos depois , John começa a envelhecer, e o tempo corre contra ele.

Para a vampira este é apenas

mais um dos seus seduzidos,
a quem é ela deverá substituir assim

que chegar a hora. Ela não se livra de seus ex-amados,
todos são mantidos no sót
ão de sua mansão em Nova York.

Após ser procurada por John, Sarah(Susan Sarandon), pesquisadora que estuda os efeitos do relógio biológico, faz uma visita ao apartamento de Miriam com o objetivo de avaliar a degeneração física dele.
A vampira diz que John viajou para longe, despistando-a. Aqui seus olhares novamente se entrecruzam despertando desejo e luxúria. Miriam e Sarah, após uma conversa amena, entregam-se sem resistência.

A cena mais envolvente do filme acontece entre beijos e carícias
envoltas numa atmosfera de prazer entre duas lindas mulheres que buscam novas emoções. Cortinas esvoaçando ao som da ópera Lakme de Delibes, com o trecho Flower Duet dando o toque final na mais clássica cena de lesbianismo vampírico do cinema. Percebemos nitidamente que o vampirismo foi usado como uma metáfora para dar enlace a uma atitude sexual de forte impacto às próprias paixões e aspirações humanas.

A fome de viver aperta o indivíduo, que se vê impelido a buscar e dar continuidade à vida através do sangue. Sarah é contaminada e passa a depender de sangue humano para se manter viva. Sem entender as transformações que estão ocorrendo em seu organismo, entra depressão com dores, angústias, febres, suores frios, medo e por fim, uma estranha sede...

Na seqüência do filme, Sarah desentende-se com Miriam e acaba ficando enclausurada num quarto do elegante apartamento decorado com peças de arte grega e romana, alimentando-se de sangue... As cenas finais são compostas por espectros, caveiras, corpos em decomposição e vampiros, vítimas que haviam sido enclausuradas em caixões no sótão do apartamento.

Um John completamente decrépito surge novamente, um vento forte dá movimento às longas cortinas dando inicio ao pesadelo, ouvem-se gritos desesperados e a luta pela sobrevivência.

Miriam precipita-se do alto do sótão e cai a pique estourando todos os ossos de seu corpo. Os espectros começam a decompor-se até se tornarem cinzas. A beleza da vampira vai se esvaindo dando lugar à horrenda caveira que tem o aspecto roxo da própria morte...

O filme vai acaba embalado na sonata para violino e piano de Franz Schubert, remetendo de volta a beleza e poesia que foram o pano de fundo de todo o filme.

Agora Sarah é a herdeira da maldição de Miriam, a mais bela mulher vampiro que o cinema já
produziu...

Na época de seu lançamento, em 1983, o filme foi um fracasso de bilheteria, mas, com o passar dos anos, se tornou uma obra cult sobre vampiros.
Tudo nele marcou época: a ambientação, uma mistura de chique, decadente e macabro, edição bem feita, cenas lentas e bem montadas, câmera lenta usada com maestria, fotografia e maquiagem excelentes e o início do uso de clichês - cortinas esvoaçando, pombos voando em cenas lúdicas - que hoje em dia são tão comuns.


Cenas inesquecíveis

. Deneuve subindo as escadas da mansão levando o corpo do Bowie no colo,

Close na bunda do Bowie quando ele toma um chuveiro com a Deneuve,
. O mata-fome da Deneuve e da Sarandon. Sem comentários,
. O visual perfeito de lady Drácula que fizeram para a Deneuve - em especial o batom vermelho perfeitamente delineado.
. O envelhecimento de Sir John Bowie através dos efeitos de maquiagem,
Figurino impecável...
Bem, eu nunca vou deixar de gostar desse filme...

Fome de Viver (The Hunger, Inglaterra, 1983). MGM, 100 minutos
Direção: Tony Scott
Roteiro: James Costigan, Ivan Davis
Elenco: Catherine Deneuve (Miriam Blaylock); David Bowie (John Blaylock); Susan Sarandon (Sarah Roberts); Cliff De Young (Tom Haver); Beth Ehlers (Alice Cavender); Dan Hedaya (Lieutenant Allegrezza); Rufus Collins (Charlie Humphries); Suzanne Bertish (Phyllis)

Lembrando:
E para quem gosta de filmes sobre vampiros, o filme Drácula, estrelando como ator principal Frank Langella, lançado no ano de 1979, é uma das melhores adaptações do romance de Bram Stoker.

Não existe a crueldade, o mistério vai sendo tecido através da postura e das palavras, e ele, Drácula, no fundo da alma, é o vampiro demônio sedutor e cruel.
E sem mostrar explicitamente caninos afiados é um excelente filme de terror que não dá pra ver sozinho, nem a luz do dia!



Trailler


O encontro...

Matando a fome...

Bauhaus


"The Flower Duet" from Lakme,
Dessay and Maurus perform

16 abril, 2007

Simplesmente Gatos

Bichos polêmicos sem o querer, porque sábios, mas inquietantes, talvez por isso...nada é mais incômodo que o silencioso bastar-se dos gatos. O só pedir a quem amam. O só amar a quem os merece.

O homem quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência. O gato não satisfaz as necessidades doentias do amor. Só as saudáveis.

Lembrei, então, de dizer, dos gatos, o que a observação de alguns anos me deu.

Quem sabe, talvez, ocorra o milagre de iluminar um coração a eles fechado?

Quem sabe, entendendo-os melhor, estabelece-se um grau de compreensão, uma possibilidade de luz e vida onde há ódio e temor? Quem sabe São Francisco de Assis não está por trás do Mago Merlin, soprando-me o artigo?

Já viu gato amestrado, de chapeuzinho ridículo, obedecendo às ordens de um pilantra que vive às custas dele? Não! Até o bondoso elefante veste saiote e dança a valsa no circo. O leal cachorro no fundo compreende as agruras do dono e faz a gentileza de ganhar a vida por ele. O leão e o tigre se amesquinham na jaula.

Gato não. Ele só aceita uma relação de independência e afeto. E como não cede ao homem, mesmo quando dele dependente, é chamado de arrogante, egoísta, safado, espertalhão ou falso.

"Falso", porque não aceita a nossa falsidade com ele e só admite afeto com troca e respeito pela individualidade. O gato não gosta de alguém porque precisa gostar para se sentir melhor. Ele gosta pelo amor que lhe é próprio, que é dele e ele o dá se quiser.

O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte. Sábio e espelho. O gato é zen. O gato é Tao. Ele conhece o segredo da não-ação que não é inação. Nada pede a quem não o quer.

Exigente com quem ama, mas só depois de muito certificar-se. Não pede amor, mas se lhe dá, então ele exige.

Sim, o gato não pede amor. Nem depende dele. Mas, quando o sente é capaz de amar muito. Discretamente, porém sem derramar-se. O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano mas se comporta como um lorde inglês.

Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência.

Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento.

O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode (ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós). Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluidos, ele se afasta.

Nada diz, não reclama. Afasta-se. Quem não o sabe "ler" pensa que "ele não está ali. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.

O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. O gato é um monge portátil à disposição de quem o saiba perceber.

Monge, sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas.

O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação, quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato!

Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo ( quase 15 minutos) se aquecendo para entrar em campo.

O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo.

Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio.Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones.

Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade. Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências.

O gato é uma chance de interiorização e sabedoria posta pelo mistério à disposição do homem.

Arthur da Távola


14 abril, 2007

Singela melodia...

Os sonhos mais lindos sonhei...
De quimeras mil um castelo ergui

E no teu olhar,
Tonto de emoção


Com sofreguidão,
Mil venturas previ


Estrela, estrela
Como ser assim?
Tão só, tão só
E nunca sofrer.

Eu canto, eu canto
Por poder te ver
No céu, no céu
Como um balão
Eu canto e sei que também me vês
Aqui, aqui com essa canção.

13 abril, 2007

Tratamento de Primeiro Mundo...

"Portugal prende, humilha e dá ultimato a brasileiros. Governo Lula nem soube...

Todos os brasileiros detidos hoje na cidade de Tomar, em Portugal, já foram liberados. Eles foram seqüestrados em seus locais de trabalho e mantidos incomunicáveis durante mais de doze horas. Não tiveram direito a telefonar aos familiares ou advogados, não foram alimentados e nem puderam sequer se sentar. Receberam um documento dando prazo de 20 dias para que regularizem a situação ou deixem o país. Foram detidos 23 trabalhadores de um frigorífico e 40 em outro. Eles prestam serviço como desossadores em frigoríficos, função que não atrai portugueses. As fábricas acabam contratando mão-de-obra brasileira, por intermédio de uma empresa terceirizada, o que é interpretado como uma irregularidade pelas autoridades portuguesas. Mas os brasileiros com quem a coluna conversou garantem serem registrados como autônomos e fornecem aos frigoríficos recibos, sobre os quais recolhem os impostos devidos ao fim do ano. O Ministério das Relações Exteriores, a embaixada e até o consulado-geral do Brasil em Lisboa foram informados do fato pela coluna."

"Brasileiros relatam humilhações em Portugal

Benedito Lopes da Silva, 33 anos, Fabrício da Silva, 25, Lindes Silva, 39, e Marcos Silva do Nascimento não têm em comum apenas o sobrenome, o mesmo de tantos outros brasileiros que buscam melhorar a própria condição de vida com base no trabalho honesto e bem feito. São todos desossadores em frigoríficos portugueses e passaram pelas mesmas humilhações ao serem detidos ontem, na cidade de Tomar, a 100 km da capital de Portugal, Lisboa. Eles foram liberados à noite, após despacho do Serviço Estrangeiro de Fronteira, órgão do Ministério da Administração Interna, dizendo que, “embora em situação irregular em território nacional”, entendeu “haver lugar” para a aplicação de um decreto que dá ao estrangeiro um prazo de 20 dias para deixar o país, sob pena de expulsão se não o fizer voluntariamente. Os brasileiros contam que policiais, acompanhados de cães de guarda, cercaram as fábricas e fecharam todas as saídas por volta das 10h (14h, em Brasília). Eles foram levados para o refeitório, onde a polícia avisou que verificaria a documentação dos trabalhadores. Eles relatam que não puderam pegar os documentos nos armários, e foram encaminhados à delegacia, onde teriam direito a um telefonema. Mas lá chegando, foram impedidos de telefonar a familiares ou advogado. Ficaram detidos até às 8h da noite (horário de Lisboa), espremidos em uma sala sem cadeiras para todos, sem refeição, e, a princípio, sem direito de irem ao banheiro – o que foi liberado posteriormente, sob severa vigilância. Lindes da Silva conta que se sentiu “tratado como cachorro, e com muita vergonha”. Todas as fotografias e filmagens feitas de celulares foram apagadas pelos policiais."

Fonte: Claudio Humberto.

Quem sabe os brasileiros estavam ameaçando a policia portuguesa empunhando
Pontas de Agulha, Chuletas e Picanhas e por esse motivo foram submetidos a essa situação de terror e tendo seus direitos HUMANOS desrespeitados.

O Lula não ter tomado conhecimento do fato não é novidade, todos sabemos que ele não "vê, fala e ouve" absolutamente nada em tempo real. A ficha, para as questões nacionais, costuma cair com um certo atraso.

De qualquer forma, estivessem ou não ilegais no país, o que conta aqui é o tratamento dispensado. E o que nos conforta é que nunca dispensamos esse tipo de tratamento aos IRMÃOS PORTUGUESES, amém!

11 abril, 2007

Ophelia de Millais

Ofélia suicida-se depois do seu amado Hamlet ter matado o seu pai…

Na margem de um regato, havia um salgueiro cujas folhas se refletiam nas águas claras, Ophélia chega às margens do riacho com uma grinalda entrelaçada por margaridas e folhas.

Seu semblante é dor sem alento, ao subir no salgueiro para pendurar a grinalda, o galho se parte e ela cai dentro da água com a grinalda e uma braçada de flores. Durante algum tempo, as roupas impediram que se afogasse. Deslizando pela corrente, coberta de flores, ela murmurava trechos de velhas canções, como uma nereida que passeasse em seu reino líquido. Com a saia e as anáguas encharcadas, foi arrastada para o fundo do rio e a morte afinal sufocou-lhe a última canção.

Tudo o que a rodeia no rio tem um significado simbólico:

O salgueiro representa amor sem esperança;
as urtigas a dor;
as margaridas perto da sua mão a inocência;
as violetas no pescoço a fidelidade, a castidade e a morte precoce;
a papoula a morte;
as outras flores estão ligadas à tristeza;
e o miosótis na margem para que não seja esquecida…

Este quadro chama-se Ophelia e foi pintado por John Everett Millais
em 1852.

John Everett Millais, juntamente a William Holman e Dante Gabriel Rossetti foram os membros fundadores de um grupo de artistas chamados "Pré-Rafaelitas", de 1848. Eles rejeitaram a arte do renascimento em favor da arte anterior a de Raphael, de Michelangelo e de Leonardo (15-16 séculos). O Pré-Rafaelitas focavam assuntos sérios e significativos e foram mais conhecidos por pintarem cenas da vida moderna e da literatura, freqüentemente usando trajes antigos. Pintavam diretamente da natureza, com tanta veracidade quanto possível e com incrível atenção ao detalhe.

Ophelia é um dos trabalhos mais populares dos Pré-Rafaelitas. As obras de Shakespeare foram uma fonte freqüente da inspiração para pintores Vitorianos. A imagem de Millais, da morte trágica de Ophelia, após cair no rio e se afogar, é uma das ilustrações as mais conhecidas da peça Hamlet, de Shakespeare.

Após um período, Millais suavizou o colorido brilhante e o estilo pormenorizado de seus traços e começou a produzir quadros mais sentimentais. No final de sua carreira, tornou-se um pintor retratista respeitado e muito requisitado pelas figuras mais importantes da sociedade. Foi nomeado presidente da Royal Academy, em 1896. Millais morreu em Londres no dia 13 de agosto de 1896.

Ophelias
Esta é de Eugène Delacroix, pintor francês (1789/1863)
Paul Delaroche, francês (1797/1856)
Ernest Hébert, francês (1817/1908)
George Frederick Watts, inglês (1817/1904)
Thomas Francis Dicksee, inglês 1819/1895
Alexandre Cabanel, pintor francês 1823/1889
Dante Gabriel Rossetti, 1828/1882
William Gorman Wils, irlandês 1828/1891
John Everet Milais, inglês 1829/1896
Arthur Hughes, inglês 1832/1915Hughes
Jules-Joseph Lefebvre, francês 1836/1911
Pierre Auguste Cot, francês 1837/1883
Odilon Redon, pintor francês 1840/1916
George Clairin, francês 1843/1919
ClairinJohn William Waterhouse, inglês 1849/1917Waterhouse
Henri Gerveux, pintor francês 1852/1929
Henrietta Rae, inglesa 1859/1928
Margaret McDonald, inglesa 1863/1933
Lucien Lèvy Dhurmer, francês 1865/1953
Paul Albert Steck, francês 1866/1924

10 abril, 2007

Über Gato


Ele é quase perfeito, o último estágio da evolução dos tipos masculinos, daí a palavra alemã über, que significa "top", "acima" ou, como dizem as mulheres, "tudo de bom", "tudo de Bloom".
Miauuu!!!

A bailarina