19 maio, 2007
18 maio, 2007
O Fabuloso Maurício
"Como disse o fabuloso Maurício, era só uma história sobre pessoas e ratos. E a parte difícil era diferenciar as pessoas dos ratos."
"... nós não sabíamos que as sombras estavam lá, até vermos a luz."
O alvo do livro é um público mais novinho, mas nada impede que adultos leiam e se divirtam com as centenas de referências que o autor sempre acrescenta nas histórias. Como alguém na comunidade Discworld Brasil disse uma vez, Terry Pratchett escreve em camadas. Uma criança que lê Pratchett hoje pode reler daqui a 10 anos e encontrar um livro totalmente novo.
E um adulto que não leu Pratchell, nunca saberá o que perdeu. Caras e bocas de "mochocho" a parte, o livro é imperdivel.
16 maio, 2007
15 maio, 2007
A Cor do Som
A Cor do Som
Misturando rock, jazz e os mais variados ritmos brasileiros, o grupo surgiu no final dos anos 70. Na formação original, os irmãos Mu e Dadi Carvalho, respectivamente nos teclados e baixo; Gustavo na bateria; na guitarra, guitarra baiana e bandolim, Armandinho, filho do legendrio Osmar, criador ao lado de dod, do primeiro trio elétrico de salvador. Depois do disco de estréia, apenas com o nome da banda na capa, veio uma apresentação antólgica no festival de Montreux, na sua, posteriormente lançada em disco. O álbum Frutificar deu início a fase de grande popularidade, com os sucessos "Abri a Porta e Beleza Pura.
Nos anos 80 seus discos passaram por vários estilos, resultando em fusões de jazz, rock, reggae, choro e samba. Em 1985 a banda se dissolveu com alguns componentes seguindo carreira solo e outros voltando a ser músicos contratados de artistas consagrados.
Entretanto, em 1996, o grupo juntou-se novamente para gravar o disco “A Cor do Som Ao Vivo no Circo”, pelo qual recebeu, no ano seguinte, o Prêmio Sharp de Melhor Grupo Instrumental.
No dia 24 de agosto de 2005, o grupo A Cor do Som volta à ativa com um registro acústico, gravado ao vivo na casa de shows Canecão (RJ). A apresentação foi marcada por diversas participações especiais, dentre elas de Moraes Moreira, em "Davilicença", Caetano Veloso em "Menino Deus" e Daniela Mercury em "Beleza Pura", só para citar algumas. O show no Canecão gerou a gravação do CD e DVD “A Cor do Som Acústico”, com sua formação original: Armadinho, Dadi, Mú Carvalho, Gustavo Schroeter e Ary Dias.
O lançamento do trabalho registra a relevância histórica do grupo A Cor do Som no cenário musical brasileiro, com destaque para a habilidade de seus integrantes, instrumentistas com sólidas carreiras individuais.
Site: http://www.acordosom.com.br
Hoje:
Ontem:
12 maio, 2007
Feliz Dia das Mães às Mães de Todos os Dias
Ser mãe
É ser responsável,
É educar,
É preparar,
É viver em eterno desassossego,
É achar graça em tudo que nossos rebentos fazem,
ficar orgulhosa de suas descobertas e conquistas,
É chorar, chorar e chorar de emoção, aflição e preocupação,
morrer de ciúmes quando eles começam a "olhar" em volta
e você deixa de ser a "mamãe" pra ser "pô mãe",
É sentir saudades de quando eles sorriam pra você
como se nada mais no mundo existisse,
de quando eles não “viviam” sem você,
e arrancar os cabelos quando eles embarcam num “programa” e nem lembram de você para dizer: “- mãe, cheguei e tá tudo bem”, e essas são as notícias que você vai receber durante os próximos 5 dias em que eles estiverem com a “turma”. Claro que você vai ter também uma mala cheia de roupa suja misturada com a limpa, chinelos cheios de areia no meio de tudo isso e com muita sorte, não encontrar também a toalha molhada enrolada nesse “bolo” de fazer chorar de raiva por eles serem tão “nem ai”.
Ah, ser mãe é o eterno frio na barriga que nunca passa,
Eu nem sei o que é,
Apenas sei que é, e sempre será amor para a vida inteira.
10 maio, 2007
Les Enfants Terrible (1) - A.Spare
Dizem que a arte visionaria brota dos "íntimos refolhos assombrados da consciência", não nos surpreende que alguns artistas também sejam magos. Sua arte se torna uma espécie de invocação, um chamado uterino 'as energias arquetipicas a "presenças" que povoam a imaginação. Para esses artistas, as imagens que conjuram provêem uma espécie de espiada 'as profundas - e talvez mais ameaçadoras - realidades que se acotovelam alem dos limites de nossa consciência conhecida.
É mágico como artistas dessa estirpe nos "relembram" de potencialidades visionarias que filtram através do psíquico, como ecos do Grande Vazio. Os três artistas que vamos tratar aqui são exemplos exponenciais desses gênios criativos e excêntricos; artesãos visuais que, de alguma forma, conseguiram explorar estas realidades inomináveis, mantendo-se no contexto da cultura ocidental do século XX e, sobretudo, preservando a sua sanidade.
Os três podem ser considerados "marginais", ou alternativos. E somente um, o suíço H.R.Giger, conseguiu atrair considerável notoriedade do establishment, alem de ser o único ainda vivo: Austin Osman Spare morreu abandonado em Londres em 1956 e Rosaleen Norton - a Bruxa de King Cross - deixou esta vida em um hospício de Sidney, Austrália, em 1979.
Mas o que especificamente me desperta o interesse nestes três artistas? Penso que o trio comunga justamente o conceito de Arte como Magia, de artista como mago. Eles nos mostraram, através de suas imagens fantásticas, que o Universo realmente é misterioso, milagroso e 'às vezes, aterrorizante, e que a nossa consciência existe e transita em vários níveis. O artista-mago é, por definição, um avatar de diversos mundos paralelos.
O visionário do transe britânico Austin Osman Spare (1886-1956) nos legou exemplos intrigantes da fusão criativa da Magia com a Arte. Valendo-se de um sistema todo seu de encantamentos e sigilizaçoes (mandingas), ele era capaz de focar determinada e controladamente a sua consciência, que evocava energias primais poderosas de sua psique, na técnica que ele cunhou de ressurgencias atavistica.
Ele foi além dos conhecidos rituais práticos da Magia, a ponto de suas peças-de-arte representarem uma desapaixonada confrontação com o próprio Universo - ou, como ele próprio gostava de descrever o ato, "roubavam o fogo dos céus".
Inspirado nos deuses egípcios clássicos e também em sua ligação intima com uma velha bruxa chamada apenas de Sra. Paterson - e com uma entidade dos círculos interiores apelidada de Águia Negra - Spare evoluiu rapidamente de uma arte figurativa conhecida para um estilo inspirado de surrealismo mágico.
Admirado por Augustus John, George Bernard Shaw e John Sargent, ele foi considerado um prodígio artístico e foi logo depois contratado para ilustrar uma porção de livros expressivos, inclusive "Atrás do Véu", de Ethel Wheeler (1906) bem como um livro de aforismos intitulado "Lodo Queimado nas Estrelas" (1911).
No inicio dos anos 20 ele já o co-editor de O Golden Hind (Corça de Ouro), junto com Clifford Bax, estampando artigos de verdadeiros papas da cultura de então, como Aldous Huxley, Alex Waugh e Havelock Ellis.
Os desenhos de Spare para o jornal eram em sua maioria de mulheres nuas e suntuosas, apenas levemente insinuando todo o mundo mágico que já a inspirá-lo.
Se ele tivesse continuado no metier, trafegando meio aos círculos literários convencionais, certamente que se tornaria bem mais conhecido como artista - pelo menos ao nível de outro notado ilustrador, Edmund J.Sullivan, autor das imagens que embelezava O Rubaiyat de OmarKhayyam e cujo estilo gráfico assemelhava-se ao estilo inicial de Spare. Mas Spare já decidido a autopublicar seus escritos e desenhos, que lidavam com a exploração da consciência mágica. Na verdade, suas inclinações esotéricas o encaminharam mesmo foi para longe do mainstream cultural.
Sua cosmologia é, mas instrutiva. Ele acreditava na reencarnação e afirmava categoricamente
que todas as suas pretéritas vidas, sejam humanas ou a, estiveram igualmente imersas na mente subconsciente.
O propósito místico do homem seria justamente rastrear todas essas existências ate´ a sua fonte primal, e isto poderia ser feito num estado de transe, no qual estaria se sujeito a ser possuído pelos atavismos de algumas dessas vidas.
Para Spare, lembranças e até impressões de encarnações previas bem como todos os impulsos míticos, podiam ser despertados da mente subconsciente:" Todos os deuses já na Terra, sendo nos próprios" - escreveu - " e quando mortos, suas experiências, ou Karma, comandam nossas
ações em parte".
O artista aprendeu sua técnica de atavismo ressurgente da Sra. Paterson, que por sua vez creditava uma ligação intima com o Culto das Bruxas de Salem.
Ele também começou a fazer "desenhos automáticos" em transe, através da mediunidade de uma manifestada presença que ele chamava de Águia Negra e que tomava a forma de um índio americano.
Sua concepção de mulher sem uma forma fixa, finita, lhe era de grande apelo – e a Deusa Universal era, acima de tudo, um aspecto central de sua cosmologia mágica. E não abria mão de sua crença de que essa deusa não podia ser limitada nem cultural nem miticamente e nem
também nomeada como Astarte, Isis, Cybele, Kali, Nuit, já que, em assim procedendo, estaríamos desviando-nos do “caminho” e, idealizar um conceito tão sagrado seria falso porquanto incompleto, irreal porquanto temporal.
Spare usou diversas técnicas para entrar em estados de transe; algumas vezes, a exaustão absoluta, como um meio para lhe “abrir o estado de vácuo total”; outras, o orgasmo, para atingir a mesma espécie de êxtase místico.
Acreditava que a sigilizaçao, a mandinga, representando um ato de vontade consciente, podia ser plantada como uma semente na mente subconsciente durante estes estados de pico do êxtase, momentos especiais quando o ego e o espírito universal se fundem: “Nesse momento, o qual ocorre à geração do Grande Desejo “ – escreveu – “ a inspiração flui livremente da fonte do sexo da deusa primordial , que existe no coração da matéria...a inspiração vem sempre do grande momento do vazio”.
Diversos dos desenhos mágicos de Spare exibem a Dama Divina guiando o artista pelo labiríntico mundo da magia. Um dos seus mais importantes e singulares trabalhos, “ A Ascensão do Ego do Êxtase ao Êxtase” – o qual foi incluso em sua obra-prima autopublicada , “O Livro dos Prazeres”, em 1913 – mostra a Deusa dando as boas vindas ao próprio artista que, na ocasião, era apropriadamente provido de asas brotadas de sua cabeça. Seu ego, ou identidade pessoal, e´ mostrada emergindo na forma de uma encarnação primal animalesca e as duas formas transcendem a si mesmas conjuradas numa caveira atávica – união com Kia.
Em outro trabalho igualmente importante , “Agora pela Realidade”, a Dama aparece novamente, levantando o véu que revela a misteriosa realidade alem. No primeiro plano, pululam todas formas de criatura – uma coruja, um rato do mato, um diabo com chifres – mas, claramente, a realidade está alem, nas regiões inferiores reveladas pela Deusa.
Indubitavelmente, um dos principais intentos de Spare ao usar os seus transes era liberar energias as quais ele acreditava serem a fonte de genialidade. E ele próprio comentava “ êxtase, inspiração, intuição e sonho...cada estado destampa memórias latentes e as apresenta na imagética de suas respectivas linguagens”. O gênio, de acordo com ele, era justamente experimentar diretamente o “atavismo ressurgente” durante “o êxtase da Serpente de Fogo do Kundalini.
07 maio, 2007
G de Gatíssimo e B de buáááááá
Pra esse "gatinho" tem banho de sol, leitinho morno 4 x dia, minguau à tarde nos dias frios e nos outros também, filé mignon, banho de língua, colinho a qualquer hora, massagem nas "patinhas" e onde mais precisar, tem festinha, tem colinhoooooo....Pra ESSE "gatinho" tem tudo e o que mais ele pedir.
E se precisar fazer umas 1000 viagens para dar conta, a gente dá...(risos)
Ai, meus sais!!!
Ah, antes que eu me esqueça, aliás eu nunca esqueço, mas se algum cara disser: "Quem é esse???" , apenas para informação adicional, ele é Gerard Butler, aquilo que todo homem quer ser quando crescer...
05 maio, 2007
Beijos, beijos de cinema
À BEIRA DO ABISMOCasados na vida real, Humphrey Bogart e Lauren Bacall imitaram a realidade em vários filmes em que atuaram juntos, como em À Beira do Abismo, de 1946, no qual fazem o par romântico.
UM CORPO QUE CAI
diretor Alfred Hitchcock, mais uma vez fez sua fórmula se transformar em marca registrada.Uma bela mulher, quase sempre loira, protagoniza uma história misteriosa e confunde a vida do galã. Em Um Corpo Que Cai, James Stewart é um detetive que se envolve com Kim Novak, uma das mulheres mais festejadas do cinema.
A UM PASSO DA ETERNIDADE
Burt Lancaster e Beborah Kerr protagonizaram essa cena, uma das mais belas do cinema, em 1953. O beijo ardente numa praia do Havai arrancou suspiros dos mais apaixonados. A película de Fred Zinneman ganhou 8 Oscars, inclusive o de melhor filme.
PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM
Marco dos anos 60, o filme continua pungente e engraçado. Deu a Mike Nichols o Oscar de melhor diretor, em 1967, e projetou Dustin Hoffman. Ele interpreta um estudante seduzido por uma mulher de meia-idade, Anne bancroft, a Mrs. Robinson da música de Simon e Garfunkel.
OS IMPLACÁVEIS
Adrenalina é a receita de romance de Steve McQueen e Ali MacGraw no filme de ação rodado em 1972 pelo diretor Sam Peckinpah. No papel de um preso que não consegue aliberdade condicional, McQueen se alia a MacGraw em um plano de fuga e roubo a banco.
A FORÇA DE UM AMOR
Jim McBride dirigiu, em 1983, os atores Richard Gere e Valerie Kaprisky nesta versão do filme rodado previamente em 1959 por Jean-Luc Godard. Não faltam beijos e cenas calientes na releitura do romance entre o charmoso malandro e a estudante.
Antes de virar princesa de Mônaco, Grace Kelly ocupou o trono de rainha dos filmes de suspense de Alfred Hitchcock. Aqui, com James Stewart, numa cena romântica com o fotógrafo que pensa assistir pela janela um assassinato no apartamento em frente.
AMA-ME COM TERNURA
Na estréia do rei do rock, Elvis Presley, no cinema, não faltou ramantismo. O herói disputa com o irmão o amor de uma mesma mulher, Debra Paget. Enbaladas pelas músicas do cantor, as fãs deliraram com o beijo e muitas voltaram ao cinema só para ver a cena mais uma vez.
AS MALÍCIAS DO AMOR
Dirigido por Édouard Molinaro, o filme traz Anthony Perkins no papel de um espião russo escalado para se apoderar de ducumentos falsos. Mesmo com a ajuda de sua namorada, papel de Brigitte Bardot, ele se mostra inepto para a tarefa. O título original do filme é Um Idiota Encatador.
BONITINHA MAS ORDINÁRIA
Baseado na peça de Nelson Rodrigues, o filme, rodado em 1981, narra a história do rapaz, que se casa por dinheiro com a mocinha, que tinha sido violentado por marginais. O drama pesado ganha tempero picante com a interpretação de José Wilker e Lucélia Santos, esbanjando juventude na época.
OS CAFAJETES
O filme de Ruy Guerra, com Jece Valadão e Lucy Carvalho, provocou um escândalo quando foi lançado, em 1962, por cousa das cenas eróticas. Na foto, o beijo do casal é um dos mais sensuais da filmografia do diretor, que participou do Festival de Cannes com Estorvo.
02 maio, 2007
Homens e Perfumes - Parte I
Quem não gosta de homem cheiroso? E todos sabem que o olfato sendo um dos cinco básicos sentidos e e refere-se à capacidade de captar odores, sabendo ainda que os cientistas estudam a possibilidade de que a capacidade para experimentar e expressar emoções se terá desenvolvido a partir da habilidade para processar os odores. E deixando toda essas coisas difíceis de se entender, e voltando a já comprovada tese de que homem bom é homem cheiroso, a melhor identificar o bofe, nada como o "cheiro" para nos dizer ao que ele veio, ou não...
O HOMEM FERRARI VELHA RED
E aí gatinha, vamos dar uma volta no meu possante?
É. Ele solta pérolas dessa magnitude e no seu ouvido com aquela cara de que passou o dia dando aquela lustrada na caranga do pai. É! A caranga é do pai, por isso não se engane, o que ele quer mesmo é acabar a noite lustrando o seu capô e nem carro tem pra isso.
Esse tipo faz linha camisa com as mangas dobradas, mas tão dobradas que mais parece uma regata. Cruzes!
Ele também usa os 3, 4, 5 ou os 6 primeiros botões da cafona camisa abertos. Depende do medalhão de ouro ou correntona de amarrar bike que ele tenha enfiada no pescoço.
Tá achando o fim? Espere então até saber que essa marca é uma das mais falsificadas do mercado. Pois é. Se você andar por qualquer centro comercial popular vai encontrar caixas e mais caixas desse exemplar por cinco reais fora o da condução.
Na cama não consegui encontrar ninguém que tenha tido coragem de dizer que se entregou para esse tipo, mas as que foram pro pré rala e rola garantem que o cara é ruim de pegada, é péssimo de partida e deplorável na primeira. Nenhuma das entrevistas foi pra segunda, terceira, quarta ou quinta marcha. Elas engataram ré e se mandaram.
Vai uma amostra aí? Ixi! Quebrei o frasco sem querer. Que pena!
01 maio, 2007
O pernilongo insolente
Continuando a sua procura, ele foi parar num galinheiro. Pousou na cerca e ficou olhando as galinhas, os patos, os marrecos e os gansos. Não. Ali não dava. Era muita pena junta. Queria algo mais exposto, cheiroso e fácil de picar e sugar. Foi embora.
Depois de um tempo de vôo, avistou um pasto com muito gado. Embora o odor não fosse agradável, escolheu um galho de uma árvore em frente e, dali, se pôs a observar e, em pensamento, a mapear o corpo de cada boi e cada vaca para atacar o pedaço mais suculento e macio, o filé mingnon.
Porém seus olhos astutos repararam que bois e vacas abanavam o rabo batendo o próprio corpo com força para espantar os insetos. E lhe veio à cabeça a idéia. E se ele, no momento da chupança, levasse uma rabanada daquelas?
Não. Era melhor não arriscar.
Bateu as asas e foi procurar outro lugar. Ah! Que beleza! Uma casa! Entrou pela janela aberta da sala de jantar onde dormiam um gato e um cachorro no tapete floreado feito à mão. Olhou para os dois com desprezo dizendo:
- Não perco tempo com estes pulguentos.
Continuou voando pela casa. Na cozinha não tinha nada para ele comer. Agora o banheiro, nada. Chegou a um quarto azul. No berço, protegido por um cortinado de filó, dormia um lindo bebê rosado. O pernilongo ficou todo arrepiado. Era aquilo que ele estava buscando. Finalmente encontrou. Investigou o cortinado. Gente, não havia uma brecha para entrar! Que desaforo! E o pernilongo suava frio, as perninhas tremiam, ele levantava e abaixava o longo ferrão, estava atarantado com a visão das bochechas rosadas da criança. Não via nem ouvia nada além da criança e sua respiração suave. A fome aumentava mais e mais e ele se pôs a zumbir com sua voz de mosquito:
- Coisinha fofa, abra o cortinado. Deixe o papai entrar. Quero cantar uma canção no seu ouvido antes de dar uma ferroada nesta bochechinha tão linda. Olá! Psiu, você aí...!
O bebê dormia o sono dos anjos sem perceber o perigo que corria. Silenciosamente, a mãe da criança entrou no quarto e, olhando para o mosquiteiro que protegia o berço, exclamou:
- Mas que pernilongo insolente!
E com a fralda que trazia na mão ela acertou o pernilongo que, tombando ao chão, dizia com voz moribunda:
- Eu só queria co
co
m e
e
e
e r...
E assim terminou a aventura do pernilongo insolente que ousou desejar ferroar o filho de uma mãe zelosa.
Maria Hilda de J. Alão.