18 janeiro, 2007
17 janeiro, 2007
Algumas
Saber Falar e Calar
É grande miséria não ter bastante inteligência para falar bem, nem bastante juízo para se calar. Eis o princípio de toda a impertinência. Dizer de uma coisa, modestamente, que é boa ou que é má, e as razões por que assim é, requer bom senso e expressão; é um problema. É mais cômodo pronunciar, em tom decisivo, não importa se prova aquilo que afirma, que ela é execrável ou que é miraculosa.
Jean de La Bruyére, in 'Os Caracteres'
O Hipócrita
0 hipócrita é um paciente na dupla acepção da palavra; calcula um triunfo e sofre um suplício. Não é mais que um déspota tolhido que não pode fazer a sua vontade senão resignando-se ao segundo papel. É a mesquinhez capaz da enormidade. 0 hipócrita é um titã-anão.
Vitor Hugo
16 janeiro, 2007
Anna Cristina Cesar
15 janeiro, 2007
Vincent van Gogh
Vincent van Gogh
O Terraço do café na Place du Fórum pertence ao período durante o qual Van Gogh esteve em Arles. A noite dessa pequena cidade provençal apaixonou o artista, que saía para pintar as estrelas, sua paisagem, seus cafés e suas luzes noturnas (naturais ou artificiais).
Em cada plano do quadro, o artista utilizou um tipo de traço, harmonizando o conjunto através da cor. As pessoas são formas (vultos) sem detalhes, como as mesas ou as cadeiras, porém a vida noturna que o café sintetiza está ali, plena de energia. Dizia o artista: "freqüentemente me parece que a noite é bem mais viva e ricamente colorida que o dia". Muitas vezes o sol ofusca a beleza das cores.
A cor para Van Gogh era a melhor maneira de traduzir as emoções. Os azuis e amarelos encantavam o pintor. Usou a cor como expressão, dominando-a e fundindo-a em pequenas manchas isoladas de superfícies coloridas.
Em Terraço do café na Place du Fórum, ele trabalha com essa combinação e, além do azul, enriquece as sombras e áreas mais escuras com roxos e verdes. A luz que sai do grande lampião de gás e ilumina o terraço é amarela. O céu estrelado tem a força interior do artista, misteriosa e incontrolável. As estrelas não são apenas pontos que cintilam e se expandem, mas são também a necessidade de Van Gogh em expressar o divino. Ele dizia que a visão das estrelas lhe fazia sonhar.
O amor de Van Gogh à vida confunde-se com seu amor à arte. Ele viveu através da pintura e não mediu sua dedicação. Trabalhou nos momentos mais alegres e nos mais difíceis. O trabalho era a sua prioridade e vinha antes de seu bem-estar material e de sua saúde, áreas nas quais ele contentava-se com o mínimo.
Alimentava-se pouco. Cerca de dois meses antes de pintar Terraço..., ele escreveu ao irmão Théo: "também posso lhe garantir que se por acaso você me enviasse um pouco mais de dinheiro, isto faria bem para os quadros, mas não para mim. Só me resta a escolha entre ser um bom pintor ou um mau pintor. Escolhi a primeira alternativa. Mas as necessidades da pintura são como as de uma amante ruinosa, não se consegue fazer nada sem dinheiro, e nunca se tem o suficiente".
Noite Estrelada é um dos ícones mais famosos do céu noturno já criados. Ao contrário de muitas outras de suas obras, A Noite Estrelada foi pintada de memória e não a partir da vista correspondente de uma paisagem como de costume.
O estilo em redemoinhos parece, para muitos, fazer o céu noturno se tornar vivo.
A impressionante grandeza e a turbulência do céu estrelado parecem refletir os sentimentos de van Gogh de ser apenas um instrumento no processo criativo do universo.
Escrevendo a Theo, ele disse:
"Esta é a eterna questão, a vida é só isto ou conhecemos apenas um hemisfério antes da morte? Quanto a mim, não sei responder, mas a visão das estrelas sempre me faz pensar. "
Por meio de sua obra, traduziu sensações, expressou seus sentimentos e suas reações afetivas traduzindo-os em valores simbólicos.
Deformou o desenho, a anatomia, a cor e a perspectiva linear para melhor satisfazer a expressão de seus sentimentos.
Usou as aparências visuais da realidade como um modo de expressar as suas realidades interiores que eram paradoxais, impulsivas e afetivas.
Sua intensidade de sentimentos é observada não apenas pela expressiva deformação, mas também por suas pinceladas curtas, nervosas, contínuas e impulsivas.
12 janeiro, 2007
11 janeiro, 2007
O Corvo
O Corvo
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais
- Eu o disse, o nome dela, e o eco disse os meus ais,
Isto só e nada mais.
Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.
Meu coração se distraia pesquisando estes sinais.
"É o vento, e nada mais."
... ...Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito", a mim disse,
"deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te.
Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces,
e que faz esses teus ais!" Disse o Corvo,
"nunca mais".
Edgar Alan Poe
tradução em versos rimados por Fernando Pessoa
Foto: Nicoletta Ceccoli
Dificuldades de governar
1. Todos os dias os ministros dizem ao povo Como é difícil governar.Sem os ministros O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima. Nem um pedaço de carvão sairia das minas Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol Sem a autorização do Führer? Não é nada provável e se o fosse Ele nasceria por certo fora do lugar.
2. E também difícil, ao que nos é dito, Dirigir uma fábrica. Sem o patrão As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem. Se algures fizessem um arado Ele nunca chegaria ao campo sem As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem, De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que Seria da propriedade rural sem o proprietário rural? Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.
3. Se governar fosse fácil Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer. Se o operário soubesse usar a sua máquina E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários. E só porque toda a gente é tão estúpida Que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4. Ou será que Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira São coisas que custam a aprender?
Bertolt Brecht
06 janeiro, 2007
Johannes Vermeer
Baseado em livro de Tracy Chevalier, o roteiro sugere que a tal moça era Griet, uma criada da casa de Vermeer. Dirigido com uma elegância absurda por Peter Webber, o filme traz um romance incrivelmente sutil, tocante e que se concentra mais na sugestão. Sem beijos e declarações óbvias, o poder de envolvimento exercido pelo relacionamento entre Vermeer e Griet é inexplicável: olhares, gestos, diálogos breves e sugestivos, tudo isso absorvendo o espectador e sendo absorvido pelo espectador.
Tudo é perfeito, direção, figurinos, direção de arte e a soberba fotografia do português Eduardo Serra. O trabalho de Serra mostra-se mais fabuloso a cada tomada, utilizando uma variação de cores e iluminação para entrar em paralelo com os sentimentos de uma situação ou, "simplesmente", reproduzindo na tela de cinema o que Vermeer fazia nas telas de suas pinturas.
Ou seja: em vários momentos Serra compõe sua fotografia como uma reprodução das iluminações dos quadros do pintor holandês. Fantasticamente impactante. Se em um capítulo de Sonhos Kurosawa colocava um personagem em quadros de Van Gogh, aqui a sensação é de que realmente estamos acompanhando os personagens interagindo sobre uma pintura, formando, assim, quase um quadro vivo a cada enquadramento. As sombras deslizam suavemente sobre os atores, e cada corpo parece emanar luz própria.
Graças a trabalhos como esses, obras e artistas do passado acabam tornando-se conhecidos do grande público. Antes do filme, poucos tinham ouvido falar de Vermeer, que nasceu Johannes Vermeer em Delft, Holanda, em 1632. Sabe-se muito pouco sobre a vida do introspectivo artista que em suas pinturas transmitia muita paz talvez devido às suas próprias meditações e análise do mundo que o cercava.
Moça Com Brinco de Pérola pode ser o quadro mais famoso do artista, mas foi outro quadro, Vista de Delft, que foi escolhido por um júri de especialistas em arte como uma das dez maiores obras de arte do mundo já feitas pelo homem. Tal obra está em Maurithshuis, Haia - Holanda.
Este quadro foi chamado "o primeiro quadro impressionista da pintura européia", pela sua atmosfera. Marcel Proust, quando pediram a sua opinião sobre este quadro disse: "É o quadro mais belo do mundo".
Se não for, é um dos quadros mais conhecidos da história da pintura. Pela perspectiva, luminosidade, pelas imagens das casas refletidas na água, e por ser de extrema suavidade e transparência, com efeitos pontilhados.
O artista que viveu épocas abastadas onde nada lhe faltava devido aos seus mecenas, morreu pobre e endividado com apenas 43 anos de idade, deixando mulher e 11 filhos. Jan Vermeer morreu em Delft, cidade onde nasceu, em 1675.
