10 setembro, 2011

Caetano Veloso


Caetano Veloso (Caetano Emanuel Viana Teles Veloso)
Nascido em Santo Amaro da Purificação (BA) em 7 de agosto de 1942

Nascido na Bahia, é o quinto filho de José Teles Veloso (Seu Zezinho), funcionário público dos Correios falecido em 13 de dezembro de 1983 aos 82 anos, e Claudionor Viana Teles Veloso a Dona Canô.

Ele escolheu o nome da irmã, inspirado em uma canção famosa da época (18 de junho de 1946) na voz do cantor Nélson Gonçalves, “Maria Bethânia”, do compositor Capiba. A irmã tornou-se uma das maiores intérpretes da história da música brasileira e Caetano tornou-se tão reconhecido quanto a irmã, como um dos grandes cantores e compositores, respeitado e ouvido pela mídia e pela crítica especializada.

Iniciou a carreira interpretando canções de bossa nova. Recebendo a influência de João Gilberto, um dos ícones e fundadores do movimento, em seguida ajudou a criar um estilo musical que ficou conhecido como MPB (música popular brasileira), deslocando a melodia pop na direção de um ativismo político e de conscientização social.

O nome ficou então associado ao movimento hippie do final dos anos 60 e às canções do movimento da Tropicália. Trabalhou como crítico cinematográfico (no jornal Diário de notícias), dirigida pelo diretor e conterrâneo Glauber Rocha. Participou na juventude de espetáculos semi-amadores ao lado de Tom Zé, a irmã Maria Bethânia e o parceiro Gilberto Gil.

O primeiro trabalho musical foi uma trilha sonora para a peça teatral Boca de ouro, do escritor Nelson Rodrigues, do qual Bethânia participou, e também escreveu a trilha da peça A exceção e a regra, do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, na mesma época em que ingressou na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia. Ambos dirigidos por Álvaro Guimarães.

Lançado no cenário musical nacional pela irmã, Maria Bethânia, que gravou uma canção da autoria no primeiro disco, Sol Negro, um dueto com Gal Costa, as cantoras que mais gravaram músicas da autoria. Em 1965, lançou o primeiro compacto, com as canções “Cavaleiro” e “Samba em paz”, ambas de sua autoria, pela RCA, que posteriormente transformou-se em BMG (atualmente Sony BMG).

Nesse mesmo ano, a canção “Alegria, alegria”, que fez parte do repertório do primeiro LP individual, Caetano Veloso (janeiro de 1968, que trouxe canções como “Alegria alegria”, “No dia em que vim-me embora”, “Tropicália”, “Soy loco por ti América” e “Superbacana”) e também lançada em compacto simples, ao som de guitarras elétricas do grupo argentino Beat Boys, enlouqueceu o terceiro Festival de Música Popular Brasileira (TV Record, outubro de 1967), juntamente com Gilberto Gil, que interpretou “Domingo no parque”, classificadas respectivamente em quarto e segundo lugar. Era o início do Tropicalismo, movimento este que representou uma grande efervescência na MPB.

Este marco foi realizado pelo lançamento do álbum Tropicália ou Panis et Circensis (julho de 1968), disco coletivo que contou com as participações de outros nomes consagrados do movimento, como Nara Leão, Torquato Neto, Rogério Duprat, Capinam, Tom Zé, Gil e Gal. Ficou associada a este contexto a canção “É proibido proibir”, da sua autoria, que ocasionou um dos muitos episódios antológicos da eliminatória do 3o Festival Internacional da Canção (TV Globo), no Teatro da Universidade Católica em 1968.

Ao lado dos colegas Gilberto Gil e Gal Costa, lançou o disco Doces Bárbaros, do grupo batizado com o mesmo nome e idealizado pela irmã Maria Bethânia, que era um dos vocais da banda. O disco é considerado uma obra-prima; apesar disso, curiosamente na época do lançamento (1976) foi duramente criticado.

Em 1981, o disco Outras Palavras atinge a marca de cem mil cópias vendidas, tornando-se o maior sucesso da carreira até então e lhe garantiu o primeiro Disco de Ouro. A vendagem deste disco foi impulsionada pelos sucessos “Lua e estrela” e “Rapte-me camaleoa”, esta última composta em homenagem à atriz Regina Casé. Neste disco também homenageou a também atriz Vera Zimmerman, com a canção “Vera gata”.

Em 2004, foi considerado um dos mais respeitados e produtivos pop stars latino-americanos no mundo, com mais de cinqüenta álbuns lançados, incluindo canções em trilhas sonoras de longa-metragens como Hable con ella, de Pedro Almodóvar e Frida uma biografia da pintora mexicana.

Em 2003, lançou o primeiro DVD-áudio, Muito Mais, que foi bônus da caixa Todo Caetano, em comemoração aos trinta e cinco anos de carreira (foi lançada originalmente em 1996, com trinta álbuns), e cujo repertório apresenta canções consagradas do artista escolhidas pelos fãs através da Internet. Em 2007, a Universal Music lançou Quarenta Anos Caetanos, caixa dividida em quatro partes, contendo toda a discografia oficial, em comemoração aos quarenta anos de parceria entre Caetano e a gravadora.

Discografia
Domingo (1967) - com Gal Costa
Caetano Veloso (1968)
Caetano Veloso (1969)
Barra 69 - Caetano e Gil ao Vivo (1969)
Caetano Veloso (1971)
Transa (1972)
Caetano e Chico Juntos ao Vivo (1972)
Araçá Azul (1972)
Temporada de Verão ao Vivo na Bahia (1974)
Jóia (1975)
Qualquer Coisa (1975)
Doces Bárbaros (1976)
Bicho 1977 (1977)
Muitos Carnavais (1977)
Muito - Dentro da Estrela Azulada (1978)
Maria Bethânia e Caetano Veloso ao Vivo (1978)
Cinema Transcendental (1979)
Outras Palavras (1981)
Brasil (1981)
Cores, Nomes (1982)
Uns (1983)
Velô (1984)
Totalmente Demais (1986)
Caetano Veloso (1986)
Caetano Veloso (1987)
Caetanear (1989)
Estrangeiro (1989)
Sem Lenço, Sem Documento (1990)
Circuladô (1991)
Circuladô ao Vivo (1992)
Tropicália 2 (1993)
Fina Estampa (1994)
Fina Estampa ao Vivo (1994)
Tieta do Agreste (1996)
Livro (1997)
Prenda Minha (1999)
Omaggio a Federico e Giulieta ao Vivo (1999)
Noites do Norte (2000)
Noites do Norte ao Vivo (2001)
Eu Não Peço Desculpa (2002)
Todo Caetano (caixa com 40 CDs) (2002)
A Foreign Sound (2004)
Ongotô (2005)
Cê (2006)
Cê ao Vivo (2007)
Zii e Zie (2009)


09 setembro, 2011

a princesa y el enano



"Había una vez una princesa que vivía en un palacio muy grande. El día en que cumplía trece años hubo una gran fiesta, con trapecistas, magos y payasos. Pero la princesa se aburría. Entonces, apareció un enano, un enano muy feo que daba brincos y hacía piruetas en el aire.

"Bravo, Bravo", decía la princesa aplaudiendo y sin dejar de reír, y el enano, contagiado de su alegría, saltaba y saltaba, hasta que cayó al suelo rendido.

"Sigue saltando, por favor" dijo la princesa. Pero el enano ya no podía más. La princesa se puso triste y se retiró a sus aposentos. Al rato, el enano, orgulloso de haber agradado a la princesa, decidió ir a buscarla, convencido de que ella se iría a vivir con él al bosque.

"Ella no es feliz aquí", pensaba el enano. "Yo la cuidaré y la haré reír siempre". El enano recorrió el palacio, buscando la habitación de la princesa, pero al llegar a uno de los salones vio algo horrible. Ante él había un monstruo que lo miraba con ojos torcidos y sanguinolentos, con unas manos peludas y unos pies enormes. El enano quiso morirse cuando se dio cuenta de que aquel monstruo era él mismo, reflejado en un espejo. En ese momento entró la princesa con su séquito.

"Ah estas aquí, qué bien, baila otra vez para mí, por favor". Pero el enano estaba tirado en el suelo y no se movía. El médico de la corte se acercó a él y le tomó el pulso.

"Ya no bailará más para vos, princesa", le dijo.

"¿Por qué?", preguntó la princesa.

"Porque se le ha roto el corazón". Y la princesa contestó: "De ahora en adelante, que todos los que vengan a palacio no tengan corazón"."


Oscar Wilde

04 setembro, 2011

Javier





...uma obra de arte!


Borboletas





Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco


de se decepcionar é grande.


As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas,
assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela.





Temos que nos bastar... nos bastar sempre, e quando procuramos estar com
alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos,
porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.





As pessoas não se precisam, elas se completam ... não por serem metades,
mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.
Com o tempo, você vai percebendo que, para ser feliz com a outra pessoa,
você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.





Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não
quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou mulher de sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, principalmente a gostar de
quem gosta de você.





O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas
venham até você.





No final das contas, você não vai achar quem você está procurando, mas quem
estava procurando por você

Mario Quintana

Minhas palavras são como as estrelas que nunca empalidecem.

"O grande chefe de Washington mandou dizer que desejava comprar a nossa terra, o grande chefe assegurou-nos também de sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não precisa de nossa amizade.

Vamos, porém, pensar em sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. O grande chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano.

Minhas palavras são como as estrelas que nunca empalidecem.

Como podes comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia nos é estranha. Se não somos donos da pureza do ar ou do resplendor da água, como então podes comprá-los? Cada torrão desta terra é sagrado para meu povo, cada folha reluzente de pinheiro, cada praia arenosa, cada véu de neblina na floresta escura, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo. A seiva que circula nas árvores carrega consigo as recordações do homem vermelho. O homem branco esquece a sua terra natal, quando - depois de morto - vai vagar por entre as estrelas. Os nossos mortos nunca esquecem esta formosa terra, pois ela é a mãe do homem vermelho.
Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia - são nossos irmãos. As cristas rochosas, os sumos da campina, o calor que emana do corpo de um mustang, e o homem - todos pertencem à mesma família.

Portanto, quando o grande chefe de Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, ele exige muito de nós. O grande chefe manda dizer que irá reservar para nós um lugar em que possamos viver confortavelmente. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, vamos considerar a tua oferta de comprar nossa terra. Mas não vai ser fácil, porque esta terra é para nós sagrada.

Esta água brilhante que corre nos rios e regatos não é apenas água, mas sim o sangue de nossos ancestrais. Se te vendermos a terra, terás de te lembrar que ela é sagrada e terás de ensinar a teus filhos que é sagrada e que cada reflexo espectral na água límpida dos lagos conta os eventos e as recordações da vida de meu povo. O rumorejar d'água é a voz do pai de meu pai. Os rios são nossos irmãos, eles apagam nossa sede. Os rios transportam nossas canoas e alimentam nossos filhos. Se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar e ensinar a teus filhos que os rios são irmãos nossos e teus, e terás de dispensar aos rios a afabilidade que darias a um irmão.

Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um lote de terra é igual a outro, porque ele é um forasteiro que chega na calada da noite e tira da terra tudo o que necessita. A terra não é sua irmã, mas sim sua inimiga, e depois de a conquistar, ele vai embora, deixa para trás os túmulos de seus antepassados, e nem se importa. Arrebata a terra das mãos de seus filhos e não se importa. Ficam esquecidos a sepultura de seu pai e o direito de seus filhos à herança. Ele trata sua mãe - a terra - e seu irmão - o céu - como coisas que podem ser compradas, saqueadas, vendidas como ovelha ou miçanga cintilante. Sua voracidade arruinará a terra, deixando para trás apenas um deserto.

Não sei. Nossos modos diferem dos teus. A vista de tuas cidades causa tormento aos olhos do homem vermelho. Mas talvez isto seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que de nada entende.

Não há sequer um lugar calmo nas cidades do homem branco. Não há lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o tinir das assa de um inseto. Mas talvez assim seja por ser eu um selvagem que nada compreende; o barulho parece apenas insultar os ouvidos. E que vida é aquela se um homem não pode ouvir a voz solitária do curiango ou, de noite, a conversa dos sapos em volta de um brejo? Sou um homem vermelho e nada compreendo. O índio prefere o suave sussurro do vento a sobrevoar a superfície de uma lagoa e o cheiro do próprio vento, purificado por uma chuva do meio-dia, ou recendendo a pinheiro.

O ar é precioso para o homem vermelho, porque todas as criaturas respiram em comum - os animais, as árvores, o homem.

O homem branco parece não perceber o ar que respira. Como um moribundo em prolongada agonia, ele é insensível ao ar fétido. Mas se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar reparte seu espírito com toda a vida que ele sustenta. O vento que deu ao nosso bisavô o seu primeiro sopro de vida, também recebe o seu último suspiro. E se te vendermos nossa terra, deverás mantê-la reservada, feita santuário, como um lugar em que o próprio homem branco possa ir saborear o vento, adoçado com a fragrância das flores campestres.

Assim pois, vamos considerar tua oferta para comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, farei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.

Sou um selvagem e desconheço que possa ser de outro jeito. Tenho visto milhares de bisões apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem em movimento. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante do que o bisão que (nós - os índios) matamos apenas para o sustento de nossa vida.

O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Porque tudo quanto acontece aos animais, logo acontece ao homem. Tudo está relacionado entre si.

Deves ensinar a teus filhos que o chão debaixo de seus pés são as cinzas de nossos antepassados; para que tenham respeito ao país, conta a teus filhos que a riqueza da terra são as vidas da parentela nossa. Ensina a teus filhos o que temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe. Tudo quanto fere a terra - fere os filhos da terra. Se os homens cospem no chão, cospem sobre eles próprios.

De uma coisa sabemos. A terra não pertence ao homem: é o homem que pertence à terra, disso temos certeza. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo o que ele fizer à trama, a si próprio fará.

Os nossos filhos viram seus pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio, envenenando seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias - eles não são muitos. Mais algumas horas, mesmos uns invernos, e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nesta terra ou que têm vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará, para chorar sobre os túmulos de um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.

Nem o homem branco, cujo Deus com ele passeia e conversa como amigo para amigo, pode ser isento do destino comum. Poderíamos ser irmãos, apesar de tudo. Vamos ver, de uma coisa sabemos que o homem branco venha, talvez, um dia descobrir: nosso Deus é o mesmo Deus. Talvez julgues, agora, que o podes possuir do mesmo jeito como desejas possuir nossa terra; mas não podes. Ele é Deus da humanidade inteira e é igual sua piedade para com o homem vermelho e o homem branco. Esta terra é querida por ele, e causar dano à terra é cumular de desprezo o seu criador. Os brancos também vão acabar; talvez mais cedo do que todas as outras raças. Continuas poluindo a tua cama e hás de morrer uma noite, sufocado em teus próprios desejos.

Porém, ao perecerem, vocês brilharão com fulgor, abrasados, pela força de Deus que os trouxe a este país e, por algum desígnio especial, lhes deu o domínio sobre esta terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é para nós um mistério, pois não podemos imaginar como será, quando todos os bisões forem massacrados, os cavalos bravios domados, as brenhas das florestas carregadas de odor de muita gente e a vista das velhas colinas empanada por fios que falam. Onde ficará o emaranhado da mata? Terá acabado. Onde estará a águia? Irá acabar. Restará dar adeus à andorinha e à caça; será o fim da vida e o começo da luta para sobreviver.

Compreenderíamos, talvez, se conhecêssemos com que sonha o homem branco, se soubéssemos quais as esperanças que transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais as visões do futuro que oferece às suas mentes para que possam formar desejos para o dia de amanhã. Somos, porém, selvagens. Os sonhos do homem branco são para nós ocultos, e por serem ocultos, temos de escolher nosso próprio caminho. Se consentirmos, será para garantir as reservas que nos prometestes. Lá, talvez, possamos viver o nossos últimos dias conforme desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará vivendo nestas floresta e praias, porque nós a amamos como ama um recém-nascido o bater do coração de sua mãe.

Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Preteje-a como nós a protegíamos. Nunca esqueças de como era esta terra quando dela tomaste posse: E com toda a tua força o teu poder e todo o teu coração - conserva-a para teus filhos e ama-a como Deus nos ama a todos. De uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus, esta terra é por ele amada. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum."

Makhpiyaluta Luta

15 junho, 2011

Preparando-se para as enchentes

diante de uma cena dessas e ter de admitir que estou de volta "ao lar".

É lamentável que certas coisas nao mudem, infelizmente...

04 março, 2011

Hoje é domingo...




No pé do cachimbo,
O cachimbo é de ouro
Quer dar no besouro
O besouro é valente
Quer dar no tenente
O tenente é de linha
Quer dar na galinha
A galinha é de Nino
Quer dar no menino...


Quem não conhece essa parlenda que permeava as brincadeiras de infância. Com variações, dependendo da região, fazia parte das nossas brincadeiras .

Todo dia era dia da brincadeira na rua.

Os Três Mal-Amados

Joaquim:

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.


As falas do personagem Joaquim foram extraídas da poesia "Os Três Mal-Amados", constante do livro "João Cabral de Melo Neto - Obras Completas", Editora Nova Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág.59.

João Cabral de Melo Neto

19 novembro, 2010

Sorvete

Eu trocaria uma refeição por uma taça de sorvete. Há tantos sabores para escolher que não dá para enjoar.
E você ainda pode criar entre sabores a combinação que melhor agrade o seu paladar.
Qualquer estação do ano é favorável para degustar essa iguaria milenar.
Pois é, o sorvete não precisou esperar a invenção do refrigerador para ser criada.



Um pouco de história:

A China foi a percussora dessa delícia. Há cerca de 3000 anos, os chineses misturaram neve com melados de frutas fazendo o que seria o primogênito dos sorvetes. Sem o ingrediente leite, outras nações foram desenvolvendo a iguaria em seus reinos, que era estocada, por exemplo, em potes de barro guardados em profundos poços cavados nas neves. Ao longo do século XIII, o sorbet* foi apresentado para a elite européia e sofisticando o seu preparo, inclusive com a adição do leite, o que tornava o sorvete uma iguaria mais cremosa. No final do século XVIII, os sorvetes cremosos ganharam popularidade e alcançaram fama nos Estados Unidos, onde no fim do século XIX nasceram o sundae, a banana split e o milkshake, três receitas símbolos da cultura do país.





“No Brasil, o sorvete ficou conhecido em 1834, quando dois comerciantes cariocas compraram 217 toneladas de gelo, vindas em um navio norte-americano, e começaram a fabricar sorvetes com frutas brasileiras. Na época, não havia como conservar o sorvete gelado e, por isso, tinha que ser tomado logo após o seu preparo. Um anúncio avisava a hora exata da fabricação. O primeiro anúncio apareceu em São Paulo, no dia 4 de janeiro de 1878, contendo a seguinte mensagem: “SORVETES – Todos os dias às 15 horas, na Rua Direita, nº 44″. (blog da ABIS)

O Dia do Sorvete, no Brasil, 23 de setembro, é uma data instituída pela ABIS, Associação Brasileira das Indústrias de Sorvete, e marca o início da Primavera e o aumento das vendas da iguaria.


Sorvete também é alimento:

Do ponto de vista nutricional, sim! É um complemento alimentar, desde que não consumido em excesso. Por exemplo: 100 gramas do tradicional sorvete de creme correspondem a 208 calorias. Sendo que 100g do pãozinho francês do café da manhã



correspondem a 269 calorias. O ingrediente leite nos reserva uma fonte de cálcio e mineral importante à saúde dos dentes e dos ossos. Outras qualidades nutricionais são as vitaminas A, B1, B2, B6, C, D, K.

É claro que combinado com outras delícias e outros sabores não é só o valor nutricional que aumenta, mas as calorias decolam também. Por isso que reafirmando o meu abre do post: Eu trocaria uma refeição por uma taça de sorvete.



Sabores – Alguns sabores fantásticos ou pela simplicidade da combinação ou originalidade ou estranheza:

■ABACAXI AO VINHO – ABOBORA COM COCO - AÇAI
■ALGODÃO DOCE – ARAÇÁ – BUBBALOO – CAFÉ
■CAIPIRINHA – CANELA AO CONHAQUE – CERVEJA
■CHICLETES – CHOCOLATE BRANCO C / LARANJA
■CHOCOLATE COM PIMENTA – COALHADA
■CURRIOLA – DAMASCO COM HIBISCUS
■FIGO COM CONHAQUE – JATOBÁ – MURICI
■MASCARPONE COM MANDORLA E PINOLI
■NATA – PAMONHA – PANETONE – PINA COLADA
■PÉTALAS DE ROSAS C/ CHOCOLATE
■QUEIJO PARMESÃO - TAPERABÁ – WHISKY


* Sobert = de origem francesa, o sobert é um sorvete sem adição de leite, assim como nas primeiras receitas conhecidas, com a base em água e complemento de suco de frutas e/ou melados. Menos cremoso, porém mais macio e granulado do que os sorvetes convencionais, ele é preferido em dietas pois não contém gordura.

Michele Roza

16 outubro, 2010

Biquini Cavadão

Biquini Cavadão
Bruno Gouveia (vocal), Carlos Coelho (guitarra), Miguel Flores (teclados) e Álvaro Lopes (bateria)

O Biquini Cavadão se formou no Rio de Janeiro no começo dos anos 80. Bruno, Álvaro e Miguel, colegas de terceiro ano do Colégio São Vicente de Paulo, decidiram tocar, junto com mais alguns amigos, num sarau, uma espécie de festival de música.

Após muitas formações, receberam do amigo Herbert Vianna a sugestão do nome "Biquini Cavadão". Bruno passou apenas a cantar, Miguel assumiu totalmente o teclado e Alvaro foi novamente chamado para o grupo, desta vez tocando bateria, ao invés de violão.

Após vários meses fizeram “Tédio”, e esta música foi o chamariz para que Carlos Beni (ex-Kid Abelha) insistisse em gravá-los. A demo, que contou com Herbert na guitarra, foi parar na Rádio Fluminense FM , berço de várias bandas de rock nos anos 80. O sucesso da demo, os levou à Polygram para gravar um compacto no começo de 1985.

Faltava um guitarrista: Carlos Coelho apareceu logo após o segundo show profissional realizado pela banda. A sua integração se deu rapidamente colaborando nas composições e gravando todos os programas de TV.

No final de 1985 eles gravam o primeiro LP: Cidades em Torrente. Além dos dois hits iniciais, eles ainda emplacam “Timidez”, “Inseguro de vida” e “Múmias”. O disco chega a atingir a marca de 60 mil cópias vendidas em fevereiro de 86. São eleitos a revelação de 85 e excursionam por quase todo o país.

Em 87, lançam o LP "A Era da Incerteza". Apesar de não ter tantos sucessos quanto o primeiro disco, chegam a marca de 50 mil copias embalados por músicas como “Ida” e “Volta e ¼”.

Passam o ano de 95 excursionando e comemorando os dez anos de carreira com shows no Brasil e Estados Unidos.

No ano de 1996, antenados com a nova tecnologia, foram a primeira banda a ter um site oficial no Brasil. Também neste ano o Biquini esteve presente em dois lançamentos literários. Sheik lançou seu livro de poesias "Borboletas no Estômago do Cachorro Louco" e a banda finalmente lançou o seu RockBook, livro de partituras com biografia e dados estatísticos.

O ano de 2000 trouxe a primeira grande mudança em quinze anos: Sheik, baixista, saiu no fim de novembro, após reunião com o grupo. A banda decidiu não incluir ninguém no lugar de Sheik, preferindo tocar com um baixista contratado. Patrick Laplan, ex-Los Hermanos, assumiu o posto nos shows.
Referência: Wikipédia e site oficial
Discografia:
Cidade em Torrentes (1986)
A Era da Incerteza (1987)
Zé (1989)
Descivilização (1991)
O Melhor do Biquini Cavadão (1994)
Agora (1994)
biquini.com.br (1998)
Remixes (1998)
Escuta Aqui (2000)
80 (2001)
Ao Vivo (2005)

Site: http://www.biquini.com.br/index.cfm/home/



Quanto Tempo Demora Um Mês

Biquini Cavadão
Composição: Álvaro, Bruno, Miguel, Coelho, Gian fabra

Acordei com o seu gosto
E a lembrança do seu rosto
Porque você se fez tão linda?

Mas agora você vai embora
Quanto tempo será que demora
Um mês pra passar?

A vida inteira de um inseto
Um embrião pra virar feto
A folha do calendário
O trabalho pra ganhar o salário.

Mas daqui a um mês
Quando você voltar
A lua vai tá cheia
E no mesmo lugar...

Se eu pudesse escolher
Outra forma de ser
Eu seria você.

E a saudade em mim agora
Quanto tempo será que demora
Um mês pra passar?

Ser campeão da copa do mundo
Um dia em Saturno
Pra criança que não sabe contar vai levar um tempão.

Daqui a um mês
Quando você voltar
A lua vai tá cheia
E no mesmo lugar.

Mas daqui a um mês
Quando você voltar
A lua vai tá cheia
E no mesmo lugar...

Quando você voltar
Daqui a um mês
Mas daqui a um mês
Quando você voltar
A lua vai tá cheia
E no mesmo lugar...

A Lenda dos 7 Pecados Capitais




Sofia, como fazia todos os dias, voltava para casa após um dia estressante de trabalho, mente divagando entre vários pensamentos vagos, mas uma conversa que ouvira entrecortada no escritório não saia de sua mente: Dois de seus colegas de serviço, um católico e um evangélico, que viviam em pé de guerra, discutiam sobre os pecados capitais: gula, preguiça, luxuria… luxuria… Bem, eram sete, mas ela no momento se lembrava apenas desses. Decidiu esquecer esse assunto, já estava quase em casa, começou a procurar suas chaves. Na porta de casa Sofia só pensava em tomar um banho e cair no sofá para descansar, mas, quando abriu a porta, ela se deparou com varias pessoas estranhas em sua casa. Sofia se assustou, mas um homem muito musculoso logo se adiantou a falar:

- Não temais Sofia, somos tão ou mais velhos que o mundo, e estamos aqui, eu e meus amigos, para que você escolha um de nós para sair definitivamente de sua vida. Eu sou a Preguiça… Sofia, não esperando seu interlocutor terminar indagou prontamente:

- Preguiça? Mas você não parece preguiçoso… Tem o corpo de quem malha e se esforça diariamente.

- Justamente, sou forte como um touro, e por isso mesmo peso e muito nos ombros de quem sucumbe a esse pecado.

Nesse momento, uma velha decrépita, encurvada, enrugada e de aspecto péssimo se aproximou e começou a falar:

- Eu sou a Luxúria. Destruo famílias, perverto homens, mulheres e crianças. Trago junto comigo flagelos, doenças e a morte. – E prevendo um pensamento que corria a mente de Sofia, a luxuria se transformou em uma bela e jovem mulher de formas esculturais e disse: – Não há feiúra alguma para quem sucumbe à luxúria.

Imediatamente após a luxúria acabar de falar, um mendigo com roupas rasgadas, sujas e exalando mau cheiro levantou-se do chão e disse:

- Me chamam de Ganância. Muitos caem em desgraça, matam e abandonam seus entes queridos por minha causa. Tenho essa aparência, pois quanto mais eu tenho, mais eu quero ter, quando mais rico sou, mais cobiço a riqueza.

Antes que mais algum deles se pronunciasse, levado pela curiosidade Sofia perguntou a uma linda mulher, de corpo escultural que estava sentada em um sofá:

- Quem seria você?

- Eu sou a Gula. Muitos me imaginam gorda e feia como uma baleia, mas se fosse assim, seria muito fácil resistir a esse pecado. Quem sofre do meu mal nem o percebe.

Um velhinho sentado em uma poltrona lentamente se levantou e com voz calma e doce se apresentou:

- Eu sou a Ira. Alguns também me chamam de cólera, outros ainda de raiva. Tenho muitos nomes, pois sou o mais comum entre as pessoas. Sou tão velho que poderia ser considerado o avô da raça humana. Cidades e reinos inteiros foram destruídos por minha causa. Mas na maioria das vezes tenho esse aspecto lento e tranqüilo, agindo guardado dentro de você, lhe causando ulceras, cânceres e outras doenças mais…

Quando a Ira terminou de falar, chegou a vez de uma bela princesa, vestida de forma esplendorosa, coberta de jóias, ouro, pedras preciosas e uma bela coroa:

- Eu sou a Inveja, e ainda não tenho tudo o que quero. Habito tanto entre os ricos e entre os pobres de forma igual, pois surjo não do que se tem, mas sim do que não se tem, e pelo que é dos outros. Sou irmã da ganância, e nós duas somos madrinhas da tristeza…

Mas a Inveja não conseguiu terminar de falar, pois foi interrompida por um lindo menino que andara brincando pelo apartamento enquanto os outros falavam:

- Venha, brinque comigo, sou o Orgulho. Só que não se engane com minha aparência, não sou puro e inocente. Posso ser tão destrutivo como os outros pecados…

Sofia estava atônita. No começo achou que aquilo poderia ser alguma brincadeira, ou até uma alucinação. Mas não, eles todos continuavam ali, esperando uma escolha dela. Poderia escolher qualquer um deles para sair de sua vida. Refletiu, pensou, ponderou todo seu conhecimento lógico para tentar descobrir qual seria a melhor escolha, mas finalmente resolveu ceder ao seu sexo sentido:

- Eu escolho o Orgulho para que saia da minha vida.

O Orgulho olhou pra ela não mais com o olhar de criança, mas sim com raiva e ódio. Levantou-se do chão e rumou-se para a porta, sendo imediatamente seguido por seus seis amigos. Esperou que todos saíssem, virou-se para Sofia e disse, agora com uma voz poderosa e imponente:

- Fizeste a escolha certa ao tirar o Orgulho de sua vida: Onde não há orgulho, não habita a Preguiça, pois os preguiçosos são aqueles que se orgulham de nada fazer para viver, não percebendo que simplesmente perdem sua vida nada fazendo.

Nesse momento Sofia estava surpresa, mas o Orgulho continuou:

- Sem Orgulho não há a Luxuria, pois os luxuriosos se orgulham de seus corpos, e se consideram merecedores de seus atos. Não há também a Ganância, pois quem se entrega a esse pecado tem orgulho das poucas migalhas que juntam na terra,não percebendo que são meros instrumentos do próprio dinheiro e posses.

O Orgulho tomou um pequeno fôlego e continuou:

- Não existe também a Gula na vida dos que não tem orgulho, pois os gulosos se orgulham de sua condição, de suas mentiras para esconder e negar sua condição, tanto pra si, quanto para os outros.

- Não há a Ira – continuou o orgulho – pois os irados são aqueles que se orgulham de serem perfeitos e não toleram a imperfeição alheia, e por fim não há a Inveja, pois os invejosos são aqueles que tem seu orgulho ferido por toda a felicidade, sucesso dos outros…

E quando terminou o orgulho saiu porta afora. Sofia saiu correndo atrás, pois tinha algo a perguntar, mas quando olhou para fora não havia mais nada ali, e quando se deu conta Sofia estava com a mão na maçaneta, da mesma forma de quando entrou, como se ainda não tivesse entrado em casa…

A bailarina