15 novembro, 2009
Bem sabia, experimentaria enfim
Sempre se retinha um pouco como se retivesse as rédeas de um cavalo que poderia galopar e levá-la sabe Deus aonde. Ela se guardava. Por que e para quê? Para o que estava ela se poupando? Era um certo medo de sua capacidade, pequena ou grande. Talvez se contivesse por medo de não saber os limites de uma pessoa.
E quando notou que aceitava em pleno o amor, sua alegria foi tão grande que o coração lhe batia por todo o corpo, parecia-lhe que mil corações batiam-lhe nas profundezas de sua pessoa. Um direito-de-ser tomou-a, como se ela tivesse acabado de chorar ao nascer.
Como? Como prolongar o nascimento pela vida inteira? Foi depressa ao espelho para saber quem era Loreley e para saber se podia ser amada. Mas assustou-se ao se ver. Eu existo, estou vendo, mas quem sou eu? E ela teve medo.
08 novembro, 2009
Roda-Viva
arte respirando, dançando, vivendo arte.
Puro ser poesia do príncipio ao fim que não tem fim.
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
(Chico Buarque)
03 novembro, 2009
A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer
Como posso, assim, viver a felicidade?
Procuro o que me pode consolar como o caçador persegue a caça, atirando sem hesitar sempre que algo se mexe na floresta. Quase sempre atinjo o vazio, mas, de tempos a tempos, não deixa de me tombar aos pés uma presa. Célere, corro a apoderar-me dela, pois sei quão fugaz é o consolo, sopro dum vento que mal sobe pela árvore.
Debruço-me.
Tenho-a! Mas tenho o quê, entre estes dedos?
Se sou solitário - uma mulher amada, um desditoso companheiro de viagem. Se sou poeta ou prisioneiro - um arco de palavras que com assombro reteso, uma súbita suspeita de liberdade. Se sou ameaçado pela morte ou pelo mar - um animal vivo e quente, coração que pulsa sarcástico; um recife de granito bem sólido.
Sendo tudo isso, é sempre escasso o que tenho!
[…..}
Stig Dagerman, A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer - Fenda ed.1995
Ben Barnes


18 outubro, 2009
Pipoca, Guaraná e Ação
Tem para todos os gostos: histórias de amor bonitas, dramáticas, engraçadas, tristes e felizes, claro.
O campo é vasto e o espaço curto, daria até tema para um novo blog (mais um!!). Não posso agradar a todos e nem a mim mesma, portanto escolhi algumas que foram sucesso de bilheteria e audiência.
Dessas que seguem, as minhas favoritas são as três primeiras. Muita gente vai concordar comigo!
As Pontes de Madison (1995) - Com delicadeza, o filme narra a história de um amor proibido. Clint Eastwood, que também assina a direção, é Robert Kincaid, fotógrafo da National Geographic que ruma para Iowa com o objetivo de capturar imagens das famosas pontes de Madison. Lá, ele conhece a dona de casa Francesca Johnson (Meryl Streep) e, por alguns dias, vivem um intenso romance.
Meu Primeiro Amor (1991) - A ingenuidade do primeiro amor é retratada a partir da história de Vada Sultenfuss (Anna Chlumsky), uma garotinha carente apaixonada por um professor mais velho, e Thomas J. Sennett (Macaulay Culkin), seu melhor amigo. Os dois vão descobrir juntos o que é amar. Ela descobrirá sozinha o que é perder.
O Curioso Caso de Benjamin Button (2008) - Baseado em um conto de F. Scott Fitzgerald, o filme de David Fincher (Clube da Luta) nos apresenta a excêntrica história de Benjamin (Brad Pitt), que nasce bebê, porém, com as características de idoso e, com o passar dos anos, vai rejuvenescendo. No meio do caminho de sua existência, ele conhece a adorável Daisy (Cate Blanchett) e os dois vivem um amor, ao mesmo tempo, melancólico e belo.
Foi Apenas Um Sonho (2008) - Pela primeira vez juntos em cena após o sucesso de Titanic, Kate Winslet e Leonardo DiCaprio são dirigidos por Sam Mendes (Beleza Americana) no longa que narra a vida de um casal aparentemente feliz. April e Frank moram em um subúrbio norte-americano, mas é na França que desejam descobrir quem de fato são, entretanto, de repente e não mais que de repente, surgem as frustrações.
Uma Linda Mulher (1990) - Julia Roberts e Richard Gere certamente protagonizaram uma das histórias de amor mais famosas do cinema. Ela era Vivian, uma garota de programa. Ele, Edward, um magnata que a contrata para acompanhá-lo em alguns eventos sociais. A convivência não fica apenas nas aparências e ambos acabam se apaixonando.
Titanic (1997) - O tremendo fenômeno que foi o filme na época de sua estreia, comprovou que muita gente não resiste a uma triste história de amor. Durante a viagem inaugural do transatlântico Titanic, Rose (Kate Winslet) e Jack (Leonardo DiCaprio), jovens de classes sociais distintas, apaixonam-se perdidamente. No entanto, quando o navio bate em um iceberg gigante a história ganha ares de tragédia.
Como Perder Um Homem em 10 Dias (2003) - Na comédia, a jornalista Andie (Kate Hudson) está fazendo uma matéria sobre como perder um homem em 10 dias. Como vítima da tarefa, ela escolhe o publicitário Ben (Matthew McConaughey) e começa a, de certa forma, infernizar sua vida. Ironicamente, para uma campanha, o rapaz apostou que consegue conquistar uma mulher pelo mesmo período. É óbvio que virou amor.
Gilmore Girls (2000 - 2007) - A falante e cômica Lorelai Gilmore (Lauren Graham) tinha no austero Luke (Scott Patterson) um ombro amigo para qualquer situação. Um belo dia, a relação entre os dois passou de amizade colorida para um romance ioiô cheio de humor, que garantiu um charme a mais à série.
Friends (1994 - 2004) - Este célebre grupo de amigos arrancava muitas gargalhadas dos telespectadores com suas malucas confusões. Quase que de brincadeirinha, dois membros do sexteto, Monica (Courteney Cox) e Chandler (Matthew Perry), resolveram dar um passo a mais na amizade e meio que sem querer, mas querendo muito, perceberam que estavam apaixonados e não é que deu até em casamento!
Figaro
27 setembro, 2009
Si Tu No Vuelves
a noite de sono profundo, o abrigo seguro, a hora de acordar, o tempo que não seguia, o tempo em que não durava senão um dia inteiro pensando em ti.
Si tú no vuelves
Se secarán todos los mares
Y esperaré sin ti
Tapiado al fondo de algún recuerdo
Si tú no vuelves
Mi voluntad se hará paqueña
Me quedaré aquí
Junto a mi perro espiando horizontes
Si tú no vuelves
No quedarán más que desiertos
Y escucharé por si
Algún latido le queda a ésta tierra
Que era tan serena
Cuándo me querías
Había un perfume fresco que yo respiraba
Era tan bonita, era así de grande
No tenía fin
Y cada noche vendrá una estrella a hacerme compañía
Que te cuente cómo estoy y sepas lo que hay
Dime amor, amor, amor
Estoy aqui, no ves?
Si no vuelves no habrá vida
No sé lo que haré
Si tú no vuelves
No habrá esperanza ni habrá nada
Caminaré sin tí
Con mi tristeza bebiendo lluvia
Que era tan serena
Cuándo me querías
Había un perfume fresco que yo respiraba
Era tan bonita, era así de grande
No tenía fin
Y cada noche vendrá una estrella a hacerme compañía
Que te cuente cómo estoy y sepas lo que hay
Dime amor, amor, amor
Estoy aqui, no ves?
Si no vuelves no habrá vida
No sé lo que haré
No sé lo que haré, no sé lo que haré
Si no vuelves no habrá vida, no sé lo que haré
17 setembro, 2009
Matança de focas
…observe a foto abaixo.
tão puro, tão indefeso…
Se você for parar para pensar é como um bebe
humano, tão pequeno e tão lindinho…
Aí está aquele lindo e doce bebe foca depois
de seu encontro com o homem…
Mas ele não está sozinho!juntamente com
ele outros milhares de bebes focas são mortos
Ainda assim muita gente não liga para essa
deplorável situação, a que ponto chegou
a insanidade humana?
Muitas pessoas apenas ign
Se a situação fosse essa…todos lutariam contra…
Se você está cansado dessa situação deprimente, então junte-se as pessoas que protestam contra esses atos infames!Apenas click no link abaixo e assine a petição contra a matança de focas no Canadá.
http://www.altarriba.org/peticion-focas.php
16 setembro, 2009
Algo para se guardar
10 setembro, 2009
O Mapinguari
Se nossos medos mais ocultos se tornam representações alegóricas vivas, compreender esses temores, nos faculta então a cura dos medos.O Mapinguari é o mais popular dos monstros da Amazônia. Seu domínio estende-se pelo Pará, Amazonas, Acre, vivificado pelo medo de uma população meio nômade que mora nas matas, subindo os rios, acampando nas margens desertas dos grandes lagos e lagoas sem nome.
caçadores e trabalhadores de todos os ofícios citam Mapinguari como um verdadeiro demônio do Mal. Não tem utilidades ou vícios cuja satisfação determine aliança momentânea com os religiosos cristãos. Mata sempre, infalivelmente, obstinadamente, quem encontra pela frente. Mata para comer.
Descrevem-no como um homem agigantado, negro pelos cabelos longos que recobrem seu corpo como um manto, de mãos compridas, unhas em garra, fome insaciável, ou "canina" como é conhecida uma fome de tamanha envergadura. Só é vulnerável no umbigo. É crença universal a existência da vulnerabilidade umbilical dos monstros. Indica também que um dia nasceu de outro nascido, que é um ser vivente como todos os outros que habitam a terra, apenas pertencente a uma linhagem pouco compreendida.
Algumas regiões, também o Lobisomem, pode ser abatido pelo umbigo. O Mapinguari, ao contrário de outras entidades fabulosas, não anda durante a noite. Durante a noite, dorme. O perigo é de dia, a penumbra no meio das florestas fechadas que mal deixam passar a luz do Sol. Na obscuridade dos troncos de muitas formas o Mapinguari se destaca, surge bruscamente, para atacar e ferir. Mas não avança silencioso como seria a lógica. Vem berrando alto, gritos soltos, curtos, horríveis, que deixam suas vítimas atordoadas, sem ação.
Longe os homens ouvem seus apelos terríveis. E fogem, sem olhar para trás. É como se o Mapinguari estivesse desafiando os carajosos para um encontro supremo, face a face. Esses gritos roucos e contínuos explicam os rumores naturais que a floresta produz e não se consegue de forma sensata explicá-los. Assim, sem uma explicação lógica para os muitos e difusos barulhos e murmúrios da densa e misteriosa mata, os homens logo atribuem ao Mapinguarital repertório sonoro.

