11 outubro, 2011

Canção do vento em minha vida


O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.

O vento varria as luzes,
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos.

O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres

O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.

Manuel Bandeira

Te morrirás primero

Te morirás primero, ya lo sé.
No creas que me importa.
Me vestiré de gala,
con los tacones altos miraré las estrellas
y andaré por las plazas como si fuera fiesta.
Ya verás,
cuando te mueras
irán nuestros amigos al entierro.

Habrá ramos, ofrendas,
un latido de pájaro golpeará las ventanas
y el altar se hará añicos durante el ofertorio.
Yo me pondré las gafas de no querer mirarte,
las de mirar el mar y verlo a mi manera.
Escucharé tus versos,
aquellos que escribiste antes de yo leerlos,
seguiré las estatuas
y me vendrá tu llanto y el amor que no tuve.

¿Te imaginas, amor?,

tú allí, muerto, tan solemne y tan quieto,
y yo un bullir de rosas en los bancos del fondo.
Yo, de rojo vestida, trenzas negras mi pelo
y las manos muy blancas acariciando espejos
por donde te has mirado.
Sin una sola lágrima.
Oculta por la pena que siempre fuera mía.

Pensando en tus caricias
y el júbilo perfecto de una siesta de sol
que nunca llegaría.
¿Te imaginas, amor?
Tus nietos, tus parientes,
y en el último asiento una hermosa muchacha
iluminado el arco de sus blancas axilas
por la luz de tus ojos.

Vendrán los oradores y hablarán de tu ingenio,
de tus muecas feroces,
de las horas amables en que ocupabas sitios,
lugares acordados.
Hablarán de tus gestos, de tu bufanda oscura,
del inconstante deleite de tu boca,
del mar que te ocupaba los momentos felices.
Llorarán los acólitos, las vírgenes de plomo,
los ángeles de cera.
Y nunca sabrá nadie que me he muerto contigo.

Elsa López

09 outubro, 2011

Cuidados




Tela: Nela Vicente
(click na imagem)



" Después de todo te amaré
Como si fuera siempre antes "
Pablo Neruba





Reguem as flores para que não murchem, sequem ou morram!
(Tal como o amor quando é deixado sem cuidados)

Medo de viver



(...) Uma madrugada sentiu-se tão incomodada, como se lhe faltasse um pedaço, que foi até o quarto de Das Dores, verificar se já tinha acordado.Encontrou a prima imersa, com a cabeça embaixo do cobertor.- Assim você sufoca! Precisa respirar bem, para poder descansar – avisou Anna, enquanto tomavam, apressadas, o café da manhã.Os olhos de Maria das Dores lacrimejaram.






Ela pareceu hesitar, mas diante da maneira franca de Anna, resolveu desabafar o que mantinha encerrado a sete chaves.- Eu tenho medo!- Medo? Como assim? De que?- Não sei... de tudo eu acho. É um problema sério. À noite, na escuridão, eu sinto pavor e só consigo fechar os olhos se me esconder embaixo do cobertor ...






Anna não respondeu, olhando a prima, surpresa com sua confissão.Das Dores deu os ombros.- Pois é isso! Já tentei de tudo, fiz análise por três anos, tomei todos os chás que me mandaram, tomo banho morno, nada adianta, não adianta! Até em terreiro eu já fui, porque disseram eu estava com encosto!- Mas você é tão corajosa em seu trabalho! Parece enfrentar muito bem os riscos!- É, eu sei...Fico possessa quando vejo a violência, homens que violentam e matam, crianças que são vítimas de tortura. Você sabia, Anna, que houve um caso em que a própria mãe jogou o bebê contra a parede, porque ele estava chorando?Parou, emocionada, procurando refazer-se.






Terminou de beber o café e encarou Anna.- Nesses momentos, eu me revolto e sou capaz de tudo mesmo e não tenho medo. Mas na hora em que estou só, no momento em que preciso dormir, eu sinto medo!Levantou-se e olhou através da pequena janela da cozinha.- Eu sinto que a maldade está tomando conta das pessoas, como se elas estivessem sendo pouco a pouco, incorporadas pelo mal. É como uma epidemia de vírus... pouco a pouco...está se espalhando!Virou para Anna, com a voz alterada.- A maldade está se espalhando! Não há limites para a dor e o medo. Por isso eu não posso parar para pensar. Porque eu sinto pavor dessa realidade...Não consigo dormir!Passou as mãos no rosto, onde uma lágrima havia escorrido.– Esta vida é uma merda, é por isso que não consigo dormir! Vida de merda, em um mundo de merda! E....






Ouviram batidas na parede da cozinha, feitas pelo vizinho.O rosto de Maria das Dores avermelhou-se.- Não tenho sequer uma vida minha, não há mais privacidade! – berrou, socando a parede e acrescentando que o mundo não passava de uma grande privada sem descarga. Saiu apressada, deixando Anna perplexa, espremida na pequena mesinha no canto da cozinha (...) ( Do livro "O Círculo" de Mirna Christhensen-MM)

02 outubro, 2011

Todo dia é dia de "bicho"



Quatro de outubro é o Dia dos Animais, a mesma data em que se festeja o dia de São Francisco de Assis.

E não é coincidência, pois esse santo é o protetor dos animais. Ele sempre se referia aos bichos como irmãos: irmão fera, irmã leoa.


"Chegará o dia em que os homens conhecerão o íntimo dos animais, e, neste dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a humanidade".
Leonardo da Vinci (1452-1519)


Declaração Universal dos Direitos do Animal


Art. 1º - Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.


Art. 2º - O homem, como a espécie animal, não pode exterminar os outros animais ou explorá-los violando este direito; tem obrigação de colocar os seus conhecimentos a serviço dos animais.


Art. 3º - Todo animal tem direito à atenção, aos cuidados e à proteção do homem. Se a morte de um animal for necessária, deve ser instantânea, indolor e não geradora de angústia.


Art. 4º - Todo animal pertencente a uma espécie selvagem tem direito a viver livre em seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático, e tem direito a reproduzir-se; Toda privação de liberdade, mesmo se tiver fins educativos, é contrária a este direito.


Art. 5º - Todo animal pertencente a uma espécie ambientada tradicionalmente na vizinhança do homem tem direito a viver e crescer no ritmo e nas condições de vida e de liberdade que forem próprias de sua espécie; Toda modificação deste ritmo ou destas condições, que forem impostas pelo homem com fins mercantis, é contrária a este direito.


Art. 6º - Todo animal escolhido pelo homem como companheiro tem direito a uma duração de vida correspondente à sua longevidade natural; Abandonar um animal é ação cruel e degradante.


Art. 7º - Todo animal utilizado em trabalho tem direito à limitação razoável da duração e intensidade desse trabalho, alimentação reparadora e repouso.


Art. 8º - A experimentação animal que envolver sofrimento físico ou psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de experimentação médica, científica, comercial ou de qualquer outra modalidade; As técnicas de substituição devem ser utilizadas e desenvolvidas.


Art. 9º - Se um animal for criado para alimentação, deve ser nutrido, abrigado, transportado e abatido sem que sofra ansiedade ou dor.


Art. 10º - Nenhum animal deve ser explorado para divertimento do homem; As exibições de animais e os espetáculos que os utilizam são incompatíveis com a dignidade do animal.



Art. 11º - Todo ato que implique a morte desnecessária de um animal constitui biocídio, isto é, crime contra a vida.


Art. 12º - Todo ato que implique a morte de um grande número de animais selvagens, constitui genocídio, isto é, crime contra a espécie; A poluição e a destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio.


Art. 13º - O animal morto deve ser tratado com respeito; As cenas de violência contra os animais devem ser proibidas no cinema e na televisão, salvo se tiverem por finalidade evidenciar ofensa aos direitos do animal.


Art. 14º - Os organismos de proteção e de salvaguarda dos animais devem ter representação em nível governamental;


Os direitos do animal devem ser defendidos por lei como os direitos humanos.

20 setembro, 2011

Para fora dos palácios de ventos



"... I'm waiting for you — how long is a day in the dark, or a week? (...)
I know you will come and carry me out into the palace of winds. That's all I've wanted — to walk in such a place with you, with friends, on earth without maps."

Bumbum



A preferência nacional por parte deles, a gente já sabe e nem precisa dizer. E a preferência de beleza delas - ou uma das preferências -, ao que parece, são os esmaltes, certo? Juntemos as duas em um produto só. Pois é, essa foi a ideia de Mark O'Hara, presidente da Bootie Babe, marca de cosméticos de São Francisco (Estados Unidos) que tem como princípio básico se destacar em meio à multidão.


A linha de esmaltes tem 12 cores nada discretas em embalagens em forma de bumbum! A ideia é que as embalagens fujam do padrão "normal" de vidrinhos de esmaltes. No Brasil eles só podem ser comprados via online (US$ 9 cada).

As embalagens têm provocado uma polêmica: muitas blogueiras de beleza americanas andam protestando contra o produto, que promoveria a banalização do corpo da mulher. E vocês, meninas, o que acharam da novidade?

50 Maneiras de irritar uma mulher



Homens têm o dom de nos irritar quando querem...




1. As conversinhas paralelas nas redes socias, que ele sempre diz que “não tem nada a ver”.

2. A mania de deixar sempre tudo pra amanhã.

3. Nunca trazer coisas novas pro sexo e ainda se espantar quando trazemos algum acessório inusitado.

4. As brincadeiras bobas com os amigos, dignas uma criança de 8 anos.

5. Não prestar atenção em mais nada quando a TV está ligada.

6. Achar que churrasco é a melhor invenção gastronômica de todos os tempos, e por isso tem que fazer parte do cardápido TODO fim de semana.

7. Os silêncios absolutos.

8. As coçadas esporádicas no saco nos momentos mais impróprios.

9. Dar presentes sem cartão..

10. Quando ele não responde meus SMS ou emails.

11. Achar que sexo anal depende única e exclusivamente da minha boa vontade e não de como ele conduzirá o sexo.

12. Me repreender se como algo que engorda.

13. Quando veste conjunto de roupas esportivas (como jaqueta e calça Adidas) mesmo que não esteja indo pra academia.

14. Quando ele dorme imediatamente após o sexo



15. Ficar de cara feia quando tem que nos acompanhar em um envento com nossos amigos – mesmo que, na grande maioria das vezes, o acompanhemos com os seu amigos.

16. O ciúme que eles têm do vibrador.

17. Achar que qualquer sinal de carinho significa que queremos sexo.

18. As cuecas velhas/desbotadas/largas.

19. Quando esperam a gente terminar de contar algo (horas falando) e depois dizem: “Desculpa eu não tava prestando atenção.”

20. Fazer cafuné como se estivesse fazendo carinho num macaco.

21. Quando o homem não ouve o que a gente diz e depois quando tocamos no assunto ele diz que a gente NUNCA falou sobre aquilo.

22. Não levanter a tampa da privada, respingar xixi e não secar. Daí quando acordamos e vamos usar o banheiro morrendo de sono, sentimos as gotas molhando nossa perna.

23. Falar que está tudo bem, quando a briga está no auge, só pra não ter que ficar me ouvindo.

24. Pelos no sabonete e pasta de dente sem tampa.

25. Quando ele chama pra sair em cima da hora e não está nem aí se você é mulher e precisa de tempo pra se arrumar.

26. Desleixo. Não cortar a unha, não aparar os pelos, sair comigo de chinelo, de bermudão colorido e com uma camisa pólo (!!!!).

27. As olhadas descaradas para outras mulheres na rua.

28. Falta de interesse pelo sexo alegando excesso de trabalho, e quando somos “procuradas” temos que estar dispostas, depiladas, com a lingerie linda e perfeita.

29. Quando ele chega do trabalho, liga no computador e fica lá durantes horas e depois ainda vai deitar com o iPad no colo.

30. Quando ele goza rápido demais e eu ainda nem cheguei perto.

31. Medição de saia/vestido: “Amor, você vai com essa roupa? Não tá meio curta não?”

32. Pedir pra eu passar a roupa dele com a desculpa que “Você passa melhor!”.

33. Ficar com preguiça de tomar banho ou de escovar os dentes antes de dormir.

34. Quando voce é super parceira nos momentos difíceis e ele não é capaz de ser mais legal durante sua TPM.

35. Deixar cuecas e meias espalhadas pela casa invés de jogar no cesto de roupas que fica a 2 metros dali.

36. Ter que pedir carinho.



37. Quando ele quer dirigir, falar no celular e mudar a música do rádio ao mesmo tempo e quase bate o carro por isso.

38. Ele não aguentar esperar o comercial acabar e ficar trocando de canal insistentemente, até dar o tempo do programa voltar.

39. Não achar nada nunca – mesmo que a coisa esteja debaixo do seu nariz.

40. Ter o trabalhão de cozinhar pra ele e ter que ouvir: “Podia ter cozinhado menos o macarrão, está muito mole.”

41. O modo como são excessivamente calmos, mesmo quanto têm todos os motivos para estarem em pânico.

42. Quando ele diz que vai jogar 5 minutos de video game e volta 3 horas depois, todo manhoso querendo sexo.

43. Ficar dando palpite quando dirigimos.

44. Quando chega datas importantes tipo Dia dos Namorados ou meu aniversário e ele diz: “Amor, estava corrido essa semana. Prometo que segunda compro seu presente.” , sendo que sempre compramos os deles semanas antes pra não correr esse risco.

45. Ciúmes sem razão.

46. Quando a gente gasta horas escolhendo um langerie bonita e ele nem repara – já chega tirando e jogando no chão.

47. Ficar jogando a mãe dele contra mim com frases “Se me atrasei foi culpa dela” ou “Culpa ela por eu não ter te acompanhado na feira”.

48. Perceber que as preliminares são feitas por obrigação e não por vontade.

49. Quando eles aceitam nos acompanhar no shopping e, depois de 15 minutos, começam: “Não vai demorar muito não, vai?”

50. Quando ele vai dormir depois do almoço de família no domingo e me deixa fazendo social com a família dele.

18 setembro, 2011

16 setembro, 2011

Os Irmãos Grimm, de Terry Gilliam








Visão fantasiosa da vida dos autores da maior parte dos contos infantis que não podem ser atribuídos a Hans Cristian Andersen e a cujo baú a Disney foi buscar a sua inspiração para os maiores filmes de animação dos seus primeiros anos de criação.



Como se trata de um filme de Terry Gilliam, o animador (gráfico) de serviço dos Monty Python, ícones inultrapassáveis do humor britânico das décadas de 70 e 80, mais importante do que a história está a concepção visual e a abordagem mais fantasiosa possível ao material em mãos.



Lá se foram para o caldeirão todos os contos possíveis e imaginários dos Grimm (várias belas adormecidas, uma chapeuzinho vermelho, um lobo mau, uma floresta encantada, uma dúzia de sapatinhos de cristal, uma bruxa com uma maçã, uma rainha apaixonada pelo seu reflexo no espelho e com cabelos compridos como os de Rapunzel no topo de uma torre).



O resultado é um emaranhado das histórias que já conhecemos , como se fossem vividas pelos próprios irmãos Grimm, apresentados como trapaceiros que vivem às custas das crenças alheias, reconstituindo-as para depois extorquirem somas para a salvação das populações.



Os Grimm têm como missão desvendar o desaparecimento de várias donzelas, então, abordam a missão como uma de desmistificação, mas acabam envolvidos na maior aventura das suas vidas.



No cômputo, Gilliam pretende oferecer uma vez mais a eterna batalha entre o real e a fantasia, as teias que se tecem entre ambas, e a ameaça que constitui a censura da razão contra a fantasia. Mas estamos muito longe de “As Aventuras do Barão Munchausen”.



Matt Damon e Heath Ledger fazem o que podem com a confusão dos seus papeis e Peter Stormare está como peixe na água, sempre mais à vontade como idiota desmiolado (“Fargo” e “Armageddon”), do que noutros registos (péssimo Satanás em “Constantine”). Monica Bellucci está igual a si própria, habituada que está, a ser considerada a mulher mais bela do mundo em todos os filmes em que entra. Até este, ao menos!





Gostei? Sei lá, acabei dormindo...


15 setembro, 2011

Das Vantagens de ser Bobo

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."

Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.

Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.

Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"

Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.

Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

Clarice Lispector

A bailarina