Adriana Calcanhotto




























Adriana nasceu no dia 03 de outubro de 1965, em Porto Alegre, filha do baterista de jazz e bossa nova Carlos Alfredo, e Morgada, professora de educao fsica e bailarina.

Cresceu ouvindo um variado repertório no rádio, que vai desde de bossa nova, rock progressivo, passando pelo jazz e pelo samba. O primeiro instrumento um violão, presenteado pela avó. Inicia cursos de violão e piano. Após breve temporada familiar no Rio de Janeiro, em 1978, compõe suas primeiras músicas.
No ano seguinte, faz um mergulho cultural em livros sobre os modernistas, e discos de mpb, com destaque para Caetano Veloso, Maria Bethânia, Elis Regina e Luiz Melodia. O ano de 1984 marca o começo da carreira profissional, com apresentações em bares e casas noturnas da capital gaúcha.

Já no ano seguinte, aperfeiçoando a técnica vocal, decide trocar estes locais pelo palco do teatro, como cantora, performer e compositora.
Em junho de 1986 estria um espetáculo em parceria com o diretor teatral Luciano Alabarse, abertamente inspirado na antropofagia cultural modernista,
foram três shows diferentes, com muitas apresentações de cada um: Crepom, A Mulher do Pau Brasil e Sei Que Estou Errada.

Em menos de 18 meses Adriana já tinha um público cativo, estrelava espetáculos cada vez mais performáticos e havia até simulado masturbação enquanto fazia vocalises assustadoramente sensuais na primeira montagem de um texto de Jean Genet na cidade: O Balcão, evidentemente dirigido por Luciano. De quebra, seguia defendendo o pão de cada dia no circuito de bares, em shows em duo com uma outra amiga cantora chamada Luciana Costa.


Em 87, mais cinco – CINCO!!! – espetáculos diferentes. Como Nunca Fui Santa, com título inspirado em Marilyn Monroe e repertório tangenciando Carmen Miranda. Outro deles, Vítima, a leva pela primeira vez para fora da sua cidade: São Paulo, rumo natural, a mais cosmopolita das capitais brasileiras de então. A recepção paulista é previsivelmente boa. E fecha o ano em grande estilo, no ginásio gigantinho de Porto Alegre, um dos fatos mais curiosos de sua carreira: a convite de Rita Lee, faz uma performance como miss brasil 2000 completamente nua.

A grande virada começa em 1989, quando se transfere para o Rio de Janeiro, convidada pela atriz Maria Lucia Dahl, que a hospeda. Na sequência dubla a voz da personagem Stelinha, em filme dirigido por Miguel Faria, que recebeu 18 prmios kikito no festival de cinema de gramado. Assina seu primeiro contrato com aCBS, se apresenta no festival de jazz de Montreux .

Começa a gravar o disco de estréia, assim que retorna ao brasil. A faixa "Naquela Estação" incluída na trilha da novela global A Rainha da Sucata. O disco "Enguiço" ganha o prêmio sharp de música, como "revelação feminina".

Em julho de 1992 a vez de Senhas, o segundo disco. Novamente, a tv globo escolhe uma canção de Adriana, "Mentiras", para a trilha sonora da novela Renascer, atingindo os primeiros lugares nas paradas de todo o país, e do primeiro disco de ouro da cantora. Em 1994 grava o cd A Fábrica do Poema. A música "Metade" é tema da novela Quatro por Quatro, e a crítica do Rio de Janeiro o elege "o disco do ano".


Em setembro de 1997, grava "quem vem pra beira do mar", com a participação de Dorival Caymmi. Revela em entrevistas estar vivendo crise artística. Martimo chega em 1998, e "Vambora" entra na trilha de "Torre de Babel". Recebe mais um disco de ouro. Mais uma música entra na global "Mais Feliz" integra a trilha de Suave Veneno. No ano seguinte, rompe o contrato com a Sony Music. E assina com a BMG. Em novembro inaugura o Garden Hall, nova casa de espetáculos no Rio de Janeiro, gravando ao vivo, clandestino ou ilegal, imoral ou engorda, ou se o amor fantasia eu me encontro ultimamente em pleno carnaval, show solo de voz e violão, com participação do percussionista Marcelo Costa.

Em 2000 inicia a turn pelo Brasil e"Vambora" ganha o prêmio Sharp de 1999, na categoria melhor canção "pop-rock". Devolva-me faz enorme sucesso em todo o país e em 2001 ganha o Troféu Imprensa do SBT como melhor cantora e melhor canção ("devolva-me"), indicada para o prêmio Multishow de Música em três categorias. Filma em São Paulo, o show Público posteriormente lançado em dvd.
O cd homônimo vale o disco de ouro em Portugal.

A partir de várias gravações iniciadas e abandonadas ao longo dos anos, em abril de 2003 finalmente finaliza Adriana Partimpim, seu disco de criança-para-criança. Porque essa nova Adriana é, e não é, a mesma Calcanhotto. Na mesma época em que recebe o prêmio da Academia de Música Espanhola na categoria Revelação Latina e estréia na Itália, assina contrato com a BMG em nome de... Adriana Partimpim. Efetivamente uma outra Adriana, como não é outro Fernando Pessoa Álvaro de Campos. Partimpim não sendo um pseudônimo, mas sim um heterônimo. Criado não ali, mas sim... aos três anos de idade, quando era ainda uma pequena filha única que passava seus dias com a babá e seu radinho.

Partimpim, a Adriana sem nenhuma preocupação além do lúdico, lança seu disco no meio do ano, e faz um sucesso crescente na medida em que vai sendo descoberto por pais e filhos. E, num fato inédito para um CD do gênero, toca até no rádio uma de suas canções: a encantadora versão de Fico Assim Sem Você, da dupla de charm Claudinho & Buchecha. E o disco é isso: músicas não necessariamente compostas para crianças, mas com um hábil senso do que pode encantá-las. Seu show só estréia no ano seguinte, e, para os padrões de Adriana, viaja pouco. Mas chega a ser apresentado em várias capitais brasileiras e em Portugal.

Felizmente seu deslumbre fica eternizado com o lançamento em DVD – dirigido por Susana Moraes, como Público - e CD, reunidos ou separadamente, no final de 2005. Leva uma série de prêmios, como o “Faz Diferença”, do Jornal O Globo, e o Prêmio Tim de Melhor Disco Infantil. Completa o ano com uma participação no festival de cinema de San Sebastian, na Espanha, a propósito do filme-biografia Vinicius, sobre Vinicius de Moraes, onde aparece cantando.

E aí, quando parecia que havia se esgotado sua cota de surpresas, a Adriana novamente Calcanhotto é convidada para participar de uma mostra coletiva de... artes visuais! Entre a Palavra e a Imagem é um misto de exposição e seminário de estética, reunindo artistas brasileiros, espanhóis e portugueses. Vai passar por Espanha e Portugal neste 2006 e desembarcar no Brasil ano que vem. E a trans, pan, multidisciplinar Adriana participa com uma pequena série de colagens... visuais! Para uma craque nas colagens musicais, nada tão novo assim.

Mas, de qualquer forma, estar lado a lado com ídolos seus como os catalães Antoni Tàpies e Joan Brossa já dá um frio na barriga. Mesmo em quem é do Rio Grande. Mesmo em quem não tem medo de nada. Mesmo numa artista tão singular quanto Adriana Calcanhotto.

"Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar, cores de Frida Kahlo, cores
Passeio pelo escuro,
Eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
E como uma segunda pele, um calo, uma casca, uma cápsula protetora, eu quero chegar antes
Pra sinalizar o estar de cada coisa, filtrar seus graus

(Irmão que, aos 25 anos de idade, se dedicava ao mais cabeludo trash metal, destroçando a bateria.)

Eu ando pelo mundo, divertindo gente, chorando ao telefone
E vendo doer a fome dos meninos que têm fome

Pela janela do quarto, pela janela do carro, pela tela, pela janela (Quem é ela? Quem é ela?) eu vejo tudo enquadrado.
Remoto controle...

(...)

Eu ando pelo mundo, e meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço?..

Meu amor, cadê você?
Eu acordei, não tem ninguém ao lado..."

Muito tudo...



Site: http://www.adrianacalcanhotto.com.br

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