Pecados Intimos

O filme começa curiosamente, avança arrojadamente e termina magistralmente. A utilização de um narrador (Will Lyman) logo de início, provoca um inconsciente torcer de nariz, mas se mostra providencial, visto que não está a mais, nem comenta o óbvio, mas dedica-se a aumentar o nosso conhecimento das personagens, e é deliciosa também pela linguagem que utiliza enquanto cumpre essa missão.

Dentro da típica vidinha dos subúrbios, há duas almas insatisfeitas. Um homem e uma mulher. São ambos casados com outras pessoas, mas ao conhecerem-se por acaso (passeiam os filhos no mesmo parque infantil) ela sugere-lhe que a abrace para chocar as outras mães, criaturas fúteis e hipócritas que os espreitam de longe, e ele beija-a na boca. Está plantada a semente da mudança.

É uma história de adultério e intimidade, de sonhos perdidos e vontades prementes. É um filme de fugas para a frente e fugas para trás, é um filme onde nem sempre as fugas chegam a decolar.

E o casal adúltero mencionado não é a única linha de vida seguida. Seguimos também o itinerário de um psicopata sexual que se expôs uma vez a uma criança e regressou, após anos de internamento. E há um policial que gere uma milícia de bairro, de pais preocupados, cujo passado não é tão cristalino que lhe permita atirar a primeira pedra. Ninguém se comporta como deveria, ninguém tem um armário sem esqueletos, ninguém está satisfeito ou tem o que quer.

“Pecados Íntimos” é a desilusão da realidade, que faz mostrar o que poderia ser, mas não chega a ser. A coragem de se insinuar da prancha mais alta da piscina é desmentida quando volta a descer os degraus em vez de mergulhar. Mas não se pode criticar, as pessoas são assim mesmo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Adorei seu blog, encontrei-o por acaso e foi um belo acaso que agora não deixarei escapar. Valeu!
Eliete