Pecados Intimos

Dentro da típica vidinha dos subúrbios , um homem e uma mulher, duas almas insatisfeitas.
Ambos casados com outras pessoas, mas ao conhecerem-se por acaso (passeiam os filhos no mesmo parque infantil) ela sugere que ele a abrace para chocar as outras mães; criaturas fúteis e hipócritas que espreitam de longe. Ele a beija na boca.

Está plantada a semente da mudança.

É uma história de adultério e intimidade, de sonhos perdidos e vontades prementes. É um filme de fugas para a frente e fugas para trás, é um filme onde nem sempre as fugas chegam a decolar.

E o casal adúltero mencionado não é a única linha de vida seguida. Seguimos também o itinerário de um psicopata sexual que regressou após anos de internamento. Um policial que comanda uma milícia de bairro composta de pais preocupados, cujo passado não é tão cristalino que lhe permita atirar a primeira pedra. Ninguém se comporta como deveria, ninguém tem um armário sem esqueletos e fantasmas, ninguém está satisfeito ou tem o que quer.

“Pecados Íntimos” lembra “Beleza Americana” de Sam Mendes (escrito por Allan Ball, o mesmo de “Sete Palmos de Terra”) e “Happiness”, escrito e realizado por Todd Solondz. É a desilusão da realidade que mostra o que poderia ser mas não chega a ser.

A coragem de se insinuar da prancha mais alta da piscina é desmentida quando desce os degraus em vez de mergulhar.


Não cabem criticas porque as pessoas são assim mesmo. A vontade de ultrapassar os limites e sair da mesmice é tarefa árdua que poucos conseguem realizar por falta de coragem. A rotina, com o passar do tempo, acaba por se tornar um porto seguro de onde raramente zarpamos rumo ao mar.



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