O menino do pijama listrado - John Boyne


Geramente falo sobre o que li, reli, e reli. Um livro para me tocar precisar ser lido no mínimo duas vezes.

A primeira vez leio com fome, transbordando sensações que ão sei descrever, ou não encontro agora as palavras que possam exprimi-las. Mas é uma leitura voraz.

Na segunda vez, vou com a calma dos amantes que já saciaram a paixão. Degustando vírgulas, pontos, pausas, personagens e tudo.

Quando chego na terceira, quarta, quinta, e etc releituras, é sempre como matar saudades de um ente querido, cheia de abraços e ternos afagos. É declarar amor eterno.

Mas quando li este livro, precisamente quando o terminei, ficou uma sensação de desamparo que não pode ser consolada e senti que precisava reler novamente assim que o fechei. E a fome continuou, o desamparo tonou-se mais e mais desconsolado.

Nele a beleza do abandono, de se sentir tão frágil e incapaz. Um vazio sem precedentes...

Um pequeno resumo, mas precisa ser lido com urgência e se alguém conseguir minimizar essa sensação de abandono, me diga como...

Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus.Também não faz idéia de que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos de que sua família está envolvida no conflito.

Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e, para além dela, centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com um frio na barriga.

Em uma de suas andanças Bruno conhece Samuel,um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai.

O menino do pijama listrado é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra, e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável.



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